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Quais aspectos levar em conta ao dar uma mesada para o filho?
Uma das perguntas que mais recebo de pais e mães é sobre como calcular o valor da mesada. Querem saber qual seria o valor ideal. Falam de modelos que dizem que o valor deve ser determinado pela idade da criança. A cada ano de idade, ela deve ganhar R$ 1,00 de semanada. Se tem 12 anos, o valor adequado seria R$ 12,00 por semana. Para mim, a coisa não é tão simples assim. Não existe um valor ideal que pode atender todas as famílias. O cálculo vai depender de algumas variáveis que serão diferentes caso a caso.
O primeiro fator que deve ser levado em consideração é qual será a responsabilidade da criança com aquele dinheiro. Mas como? Responsabilidade? Sim, a criança deve saber quais são os gastos cobertos com a sua semanada ou mesada. Quando começamos a dar uma semanada para a Maria Eduarda, o dinheiro era para ela comprar algo depois da aula ou depois da aula de ballet. Mas que tipo de coisa? Uma pipoca, uma bala ou chocolate por exemplo. E fizemos uma conta então de quanto ela precisaria para duas ou três vezes por semana comprar algo assim. E definimos o valor da semanada. Se de outra maneira, o objetivo fosse que ela pagasse com a semanada os lanches na escola, teríamos que pegar o valor diário de um lanche e multiplicar pelo número de dias da semana em que ela iria comprar com o seu dinheiro.
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É importante que o valor leve a criança a ter de fazer escolhas. Esse é o principal objetivo da semanada ou mesada. Permitir que as crianças possam começar a experimentar os ônus e bônus de suas escolhas. A Maria Eduarda não ganhava o suficiente para comprar pipoca todos os dias. Se comprasse mais de uma vez na semana ficava sem dinheiro para os outros dias. Dar um valor que permite à criança comprar tudo aquilo que ela quer pode ter um efeito negativo. Ela passa a acreditar que todos os seus desejos podem ser realizados e que não é necessário abrir mão de nada.
Hoje aos 15 anos, a Duda ganha uma mesada de R$ 200,00. E com esse dinheiro, ela deve comprar as coisas que ela quer ao longo do mês. Uma parte ela gasta com assinaturas de serviços de streaming. E volta e meia, coloca um valor em seus investimentos. É um valor pequeno, mas que ajuda a aumentar o que ela já tem guardado.
Outra questão que deve ser levada em consideração para se estabelecer o valor da semanada ou mesada é o orçamento familiar. O valor deve estar adequado às condições financeiras da família. E o fato de ter um orçamento bem apertado não deve ser um impeditivo para que os pais iniciem a mesada. Já vi muitos exemplos de uso positivo dessa ferramenta de educação financeira para crianças com valores bem pequenos.
Portanto, ao planejar uma mesada para o filho, além do valor a ser dado, é importante levar em conta todos esses aspectos. E você? Quais critérios utilizou na definição do valor da mesada de seus filhos?
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
Carlos Eduardo Costa
Carlos Eduardo Freitas Costa é pai de Maria Eduarda e do João Pedro. Tem formação em ciências econômicas pela UFMG, especialização em marketing e em finanças empresariais e mestrado em administração. É autor de diversos livros sobre educação financeira para adultos e crianças, entre os quais: 'No trabalho do papai' e 'No supermercado', além da coleção 'Meu Dinheirinho'. Saiba mais em @meu.dinheiro
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