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Por que mais adolescentes estão passando por cirurgias de fimose?
Nos últimos dez anos, o número de cirurgias por fimose em adolescentes brasileiros cresceu mais de 80% no Sistema Único de Saúde (SUS). O dado, levantado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), preocupa especialistas e aponta para um problema que começa bem antes da adolescência: o diagnóstico tardio e a falta de acompanhamento médico ao longo da infância.
A fimose é uma condição em que a pele que recobre a cabeça do pênis (prepúcio) não consegue ser puxada para trás com facilidade, impedindo a exposição completa da glande. Isso é comum nos primeiros anos de vida e, na maioria dos casos, se resolve espontaneamente até os 3 anos de idade. Quando isso não acontece, o quadro pode ser tratado com pomadas até cerca dos 7 anos. “Após esse período, se o problema persistir, a cirurgia é recomendada e é sempre melhor operar na primeira infância do que na adolescência”, explica o urologista Daniel Suslik Zylbersztejn, do Einstein Hospital Israelita.
Operar na adolescência tende a ser mais doloroso e desconfortável. Quanto mais cedo a cirurgia é feita, mais simples costuma ser a recuperação. “Na adolescência, o pênis é maior, a pele já tem mais fibrose e pode sangrar mais. O menino tem mais ereções devido à testosterona, e a recuperação tende a ser mais desconfortável e demorada”, explica o especialista, que também é diretor do departamento de Urologia do Adolescente da SBU.
Fimose, parafimose e prepúcio
Além do desconforto físico, a fimose não tratada pode aumentar o risco de infecções urinárias, infecções sexualmente transmissíveis e até câncer de pênis.
O levantamento mostra que as internações por fimose, parafimose e prepúcio redundante entre jovens de 10 a 19 anos quase dobraram entre 2015 e 2024. Entre os fatores apontados estão a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, o afastamento dos meninos do acompanhamento médico após deixarem o pediatra e os impactos da pandemia, que adiou consultas e cirurgias eletivas.
A mensagem dos especialistas é clara: informação e acompanhamento fazem diferença. Falar sobre o tema sem tabu, observar sinais de dificuldade de higiene ou dor e manter consultas regulares ajudam a garantir que o cuidado aconteça no tempo certo — com menos sofrimento físico e emocional para crianças e adolescentes.
Fonte: Agência Einstein
Canguru News
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