Brasil fora da Copa: como ajudar as crianças a lidar com a frustração após a eliminação?

A derrota do Brasil pode ser a primeira grande experiência de frustração coletiva para muitas crianças. Entenda como transformar esse momento em um importante aprendizado sobre emoções, perdas e resiliência

A eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, encerrou o sonho do hexacampeonato e deixou milhões de torcedores desapontados e com um gosto amargo na boca. Nós, adultos, já o Brasil levar a taça não só uma, mas duas vezes (dependendo da sua idade). As crianças, que viveram intensamente a expectativa da competição, nunca viram e agora precisam lidar com uma emoção nem sempre fácil de compreender: a frustração.

Os adultos também sofrem e ficam tristes, mas o sentimento acaba passando. Para os pequenos essa pode ser uma das primeiras experiências marcantes de decepção coletiva e a forma como pais e responsáveis reagem faz toda a diferença.

As crianças ainda estão aprendendo a lidar com emoções como tristeza e frustração. Por isso, esse momento pode gerar dúvidas, choro e até dificuldade para compreender por que o resultado foi diferente do esperado. Não é papel dos adultos evitar que a criança se frustre, até porque isso é impossível. Mas eles podem, sim, ajudá-la a entender que emoções difíceis fazem parte da vida e que dá para enfrentá-las de forma saudável.

Não minimize a tristeza

Ao ver uma criança chorando pela derrota, vem logo o impulso de repetir frases como “é só um jogo” ou “não precisa ficar assim”. O problema é que, apesar da boa intenção, esse tipo de comentário pode fazer com que ela sinta que sua emoção não é importante. A tendência dos adultos é tentar fazer com que a criança supere rapidamente a tristeza, mas, para ela, aquela emoção é verdadeira. O primeiro passo não é minimizar o sentimento, e sim acolhê-lo. Em vez de tentar distrair seu filho, ouça, valide o que ele sente e mostre que é normal ficar triste quando algo importante não acontece como esperado.

Ajude a criança a colocar as emoções em palavras

Nem sempre os pequenos conseguem identificar exatamente o que estão sentindo. Eles podem demonstrar irritação, choro ou desânimo sem saber dizer que estão frustrados ou decepcionados. Por isso, os adultos podem fazer perguntas simples, como “Você ficou triste porque queria que o Brasil ganhasse?” ou “Está decepcionado com o resultado?”. Esse exercício ajuda a criança a reconhecer e organizar suas emoções. Isso vale para uma derrota no futebol, para uma competição escolar ou para qualquer situação em que o resultado não saia como ela esperava.

Mostre que perder faz parte da vida

O esporte oferece uma oportunidade concreta para conversar sobre expectativas e resiliência. Nem sempre quem se esforça vence, e isso não significa que o esforço tenha sido em vão. O esporte oferece esse aprendizado em um ambiente seguro, porque permite falar sobre perda, esforço e recomeço de uma forma concreta. Essa conversa pode abrir espaço para lembrar outras situações em que a criança enfrentou desafios, persistiu e conseguiu superar dificuldades.

Lembre-se de que as crianças aprendem pelo exemplo

Mais do que ouvir orientações, os pequenos observam como os adultos se comportam. Reações muito agressivas, críticas exageradas aos jogadores ou dramatizações podem fazer com que eles interpretem a derrota como uma tragédia. O adulto também pode se frustrar, mas precisa lembrar que a criança está aprendendo a interpretar essas situações. Quando a família reage com equilíbrio, ela ensina, pelo exemplo, que é possível ficar triste sem transformar a derrota em algo maior do que ela é. Demonstrar tristeza é natural. O importante é mostrar que isso passa e que é possível seguir em frente.

Fale sobre o assunto

Depois da eliminação, algumas famílias preferem evitar o tema na tentativa de esquecer rapidamente a decepção. Mas conversar sobre o que aconteceu pode ajudar a criança a elaborar melhor seus sentimentos. Falar sobre a derrota não significa aumentar o sofrimento. Pelo contrário: pode ajudar a criança a entender que sentir tristeza é natural. Com acolhimento e diálogo, até uma eliminação pode se transformar em aprendizado.

Fonte: Andréa Piloto, diretora pedagógica da Escola Vereda.

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