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A fatura pesada da pandemia, com juros
Passamos a fronteira do inimaginável, e neste momento, não há grande segurança na previsão do futuro. Há mais de um ano, confinados em casa, por causa da pandemia do coronavírus. Quando acreditávamos que seria impensável aguentar um mês, percebemos hoje que somos mais resilientes e que até sabemos responder aos desafios. Uns com mais cautela do que outros, mas de uma forma geral, conseguimos adaptarmo-nos.
Mas há sempre o reverso da medalha e a fatura está pesada e vem com juros acrescidos. Aumentou o burnout parental, o que significa que alguns não conseguimos mais sentir prazer nesse papel que tanto idealizamos e se romantiza. Estamos exaustos, sem retaguarda e rede de apoio. Sem estratégias. Fartos e com vontade de largar tudo. Mas isso não é opção.
Desde dia 19 de abril que, em Portugal, o ensino presencial regressou para todas as idades, mas os mais jovens também pagaram a fatura do confinamento. Mais ansiedade, saudades, cansaço, desânimo. Excesso de ecrãs, dificuldade em focarem-se em atividades, perda de prazer pela escola, até! Em termos de desenvolvimento sócio-emocional, perderam oportunidades – que são recuperáveis, espero – de socializar, de terem brigas com uns e de as resolverem. Não houve festas de aniversário, não houve atividades extra currículo escolar. Não fizeram novos amigos.
Alguns adolescentes adiaram o primeiro beijo, o primeiro fim-de-semana fora com o namorado. Não se sentiram imortais porque é esperado que assim sintam, mas imortais porque os dias não passavam, a vida ficou em stand-by.
Ansiedade, desânimo, tristeza, apatia são sintomas que não podem ser ignorados. Mesmo que, aqui em Portugal, se esteja a desconfiar devagarinho, a verdade é que isso não significa que a fatura fica esquecida e arquivada. Precisamos de estar atentos a nós, mas também aos outros que apresentam estes sintomas. Hoje, mais do que nunca, é urgente pedir ajuda, aceitar ajuda. E dar tempo. Para nos voltarmos a adaptar ao que era antes e à ansiedade que esse antigo conhecida pode trazer.
Desejo que o Brasil possa recuperar rápido deste momento altamente desafiante que está a viver. Desejo que o mundo recupere rápido para que possamos viver com menos constrangimentos e, finalmente, abraçar os nossos!!
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Magda Gomes Dias
Magda Gomes Dias, 44 anos, tem dois filhos: Carmen, 12 anos, e Gaspar, 9 anos. É natural do Porto, Portugal, e fundadora da Escola da Parentalidade e Educação Positivas, onde oferece programas de certificação e especialização na área. Autora do blog 'Mum's the boss', escreveu os best-sellers 'Crianças Felizes' e 'Berra-me Baixo', além do livro 'Para de Chatear a Tua Irmã e Deixa o teu Irmão em Paz'.
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