Artigos
Mudei meu filho de escola, e agora? Veja como tornar a adaptação mais fácil
Por Daniele Franco – Quando chegou o boleto para a renovação da matrícula de seu filho mais velho, a fonoaudióloga Renata Costa, 39, levou um susto. O novo valor da mensalidade iria aumentar em 40% e ficar inviável para o orçamento familiar. Ela teve, então, que tomar a difícil decisão de mudar Lucas, então com 6 anos, da escolinha de que ele tanto gostava e na qual estava plenamente adaptado.
A reação do pequeno foi tocante: ele se ofereceu para tirar o dinheiro de sua poupança para não ter que mudar de escola. “Foi gesto muito espontâneo, que nos fez perceber o quanto a mudança seria difícil para ele em diversos aspectos.” Se, para os adultos, qualquer mudança pode, muitas vezes, significar dor de cabeça, para as crianças a situação é ainda mais delicada.
De acordo com o professor da UFMG Cristiano Gomes, pós-doutor em psicologia da educação, isso se deve ao fato de as crianças menores precisarem criar vínculos. “Na antiga escola, esses vínculos já estão estabelecidos, seja com a professora, com os coleguinhas ou com o próprio ambiente escolar, e uma mudança forçaria a quebra dos antigos e a criação de novos vínculos, o que para elas pode ser difícil”, explica.
Mas, se a mudança for inevitável, o que fazer para torná-la uma experiência mais fácil para toda a família? A primeira atitude tem que partir dos pais, diz Gomes. Eles precisam passar a segurança necessária aos filhos e evitar qualquer demonstração de que estejam assustados ou com medo da nova rotina. O especialista também destaca que é importante conversar com a nova escola e ser totalmente sincero sobre os motivos da mudança e as particularidades da criança, o que facilita o trabalho de acolhimento e adaptação.
Patrícia Caram, orientadora e psicóloga do Colégio Colibri, em Belo Horizonte, concorda que é essencial ser claro com a escola quanto às características dos filhos. “É importante, mais do que não esconder nada da escola, que os pais sintam na instituição uma parceira antes de qualquer coisa – e, para a escola ser essa parceira, ela precisa saber como ajudar” afirma.
O acolhimento das escolas
Assim como outras escolas ouvidas pela reportagem, o Colégio Colibri faz uma entrevista com os pais de novatos, antes mesmo da matrícula, para que os profissionais conheçam a história da criança. “Quando começa o ano letivo, nós fazemos um trabalho de acolhimento que envolve uma dinâmica de apresentação e um acompanhamento próximo nas primeiras semanas, fazendo com que a criança se sinta parte da comunidade escolar”, diz a orientadora Patrícia Caram.
A Escola Bilboquê, de Beagá, tem um método parecido de ambientação, levando as famílias para conhecer as dependências do lugar. “Depois que a criança entra, iniciamos um trabalho de adaptação que inclui a mistura das turmas entre alunos veteranos e novatos e o desígnio de tutores, que são dois coleguinhas que ficam encarregados de apresentar a escola para os que estão chegando”, conta Maria Claret Lamounier Elias, diretora pedagógica da instituição.
Já na Escola Americana, também na capital mineira, a adaptação varia de acordo com a idade das crianças. Aquelas que têm entre 3 a 4 anos, por exemplo, têm um horário especial de adaptação na primeira semana de aula. “É importante lembrar que crianças são indivíduos, com personalidades e características próprias. Cada uma se adaptará de um jeito e em seu próprio tempo”, diz a gerente de admissão, Roberta Coelho. “A escola e a família devem trabalhar como um time para que haja sucesso na educação.”
Esperança na mudança
Muitas vezes, entrar em uma escola nova é uma demanda do próprio aluno, que pode não estar se sentindo à vontade no ambiente atual. Foi o caso do pequeno Augusto, de 6 anos, como relata sua mãe, a pedagoga Marcela Bracarense, 35: “Ele é uma criança especial, com espectro autista, e eu percebi que a escola não considerava essa particularidade dele e não procurava maneiras de ajudá-lo quando ele precisava”.
A mudança também significou uma reviravolta na vida da família inteira. É que, para ficar mais perto do novo colégio, Marcela decidiu mudar de casa. Hoje, dois anos depois de tomar a decisão, Augusto está feliz no novo ambiente, e a família, satisfeita com a decisão.
E o que aconteceu com o Lucas, que queria até quebrar o cofrinho para evitar a mudança? A família adorou a nova escola e até decidiu inscrever lá a caçulinha, Manuela, de 1 ano. Agora, passados apenas seis meses, Lucas se prepara para uma nova troca, porque já estava no último ano do ciclo básico. Mas, desta vez, ele está entusiasmado com o desafio. “Acredito que o que nos ajudou no processo foi a sinceridade, porque desde o começo nós explanamos os motivos reais da saída dele e colocamos como uma razão justa. Hoje ele sabe que planos podem mudar a qualquer momento e que a mudança nem sempre é ruim”, conclui a mãe.
Outras dicas para ajudar na adaptação do seu filho
Os pais podem inserir o ambiente escolar no cotidiano da família de maneira indireta, criando uma relação que vai fazer a criança se sentir em casa nos dois lugares. Como fazer isso?
• Ensinar brincadeiras para fazer com os colegas
• Contar histórias para serem repetidas na escola
• Desenhar com as crianças e fazer com que elas levem o resultado para que os amiguinhos vejam
Essas ações simples aumentam significativamente a segurança dos pequenos no ambiente escolar.
Como saber se meu filho quer mudar de escola?
Seu filho fala com você. Mesmo que não diretamente, ele se comunica. Como pais, é preciso que estejamos abertos ao diálogo e atentos aos sinais que eles podem apresentar caso não estejam se adaptando à nova escola:
Choro: Se a criança chora muito, se aborrece por qualquer ou nenhum motivo, seja dentro ou fora da escola, é importante procurar a raiz do problema, que pode, sim, estar na falta de adaptação da criança à intsituição.
Chamar pelos pais: Quando a criança chama pelos pais durante o período escolar é porque ela não se sente segura ou confortável no ambiente em que está inserida.
Apego a objetos: De um jeito muito parecido com os pais, alguns objetos exercem um papel de porto seguro para a criança. Se ela não desgruda de um determinado brinquedo, bico ou cobertor, por exemplo, é hora de conversar.
Observação: A família deve prestar atenção em mudanças no comportamento e no que a criança fala. Se achar que algo está afetando a adaptação, é importante ser aberto com a escola para que haja uma observação mais focada.
Estar presente: O importante é estar presente. Conversar com a criança, ler agenda, e-mails ou qualquer outro tipo de comunicação enviada pela escola. Entendendo como a escola funciona, fica mais fácil de entender como anda a adaptação da criança.
LEIA TAMBÉM:
[mc4wp_form id=”26137″]
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
5 reflexões importantes sobre maternidade da série “All Her Fault”
Série estrelada por Sarah Snook virou hit nos streamings do mundo inteiro. Além de ser um suspense daqueles, história escancara...
Livro infantil “A Mancha do Bullying” ajuda famílias a identificar sinais de violência silenciosa na escola
Inspirado em filme premiado, “A Mancha do Bullying” usa a leitura e a imaginação para puxar conversas difíceis e necessárias...
Não foi só na sua casa que “Guerreiras do K-Pop” virou febre: animação faz história no Globo de Ouro
Filme que emplacou hits conquista estatueta de Melhor Canção Original com “Golden”. Foi a primeira vez que uma música de...
“Adolescência”: a minissérie que virou conversa obrigatória entre pais e filhos — e acabou de dominar o Globo de Ouro
Fenômeno britânico venceu em todas as categorias às quais foi indicada na premiação, que aconteceu na noite do último domingo...




