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Feliz Dia das Mães? 9 em cada 10 brasileiras relatam burnout na maternidade
O Dia das Mães está chegando e, com ele, vêm as homenagens, as flores, os chocolates, os presentes, um almoço especial. Mas nada disso adianta, enquanto continuarmos ignorando o que está, de verdade, por trás das comemorações. Um cenário preocupante desponta no Brasil e a maternidade se torna um dos principais fatores de risco para a saúde mental das mulheres.
Dados recentes apontam que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento emocional. A informação vem da primeira pesquisa nacional sobre burnout parental, realizada em 2024 pela comunidade B2Mamy em parceria com a Kiddle Pass, com cerca de 2 mil participantes.
O levantamento revela diferentes graus de exaustão: 44% das mães apresentam sintomas moderados, 33% leves e mais de 9% já enfrentam quadros graves. Apenas uma pequena parcela não apresenta sinais relevantes de desgaste psicológico.
E o esgotamento vai além do cansaço físico. A sobrecarga mental, a pressão social e o sentimento incessante de culpa fazem parte da rotina de muitas mulheres. “A maternidade ainda é muito romantizada, mas os números mostram uma realidade bem diferente”, explica a neuropsicopedagoga Isa Minatel. “Existe uma cobrança para que a mulher dê conta de tudo com leveza, e isso gera um sofrimento silencioso”, afirma.
A culpa materna aparece como um dos sentimentos mais frequentes. Segundo a especialista, ela pode até funcionar como um alerta interno, mas se torna prejudicial quando é constante e paralisa. “Muitas mães acreditam que são incompetentes ou que o filho é difícil, quando, na verdade, faltam ferramentas e apoio. Isso alimenta um ciclo de exaustão e insegurança”, destaca.
Além das pressões internas, fatores estruturais agravam o problema. A ausência de rede de apoio, especialmente entre mães solo, e a dupla jornada, que combina trabalho profissional e cuidados domésticos, aumentam significativamente o risco de adoecimento mental.
Outro dado que acende o alerta é a prevalência da depressão pós-parto. No Brasil, ela atinge entre 20% e 25% das mulheres, segundo a Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde do Brasil. Em casos mais graves, transtornos no período perinatal podem envolver pensamentos suicidas ou comportamentos de automutilação, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.
É importante diferenciar condições comuns do puerpério. O chamado “baby blues”, caracterizado por tristeza leve e passageira nos primeiros dias após o parto, não deve ser confundido com a depressão pós-parto, que exige acompanhamento profissional. “Depressão não é fraqueza, é uma condição de saúde que precisa ser tratada”, reforça Minatel.
Os impactos desse cenário não se limitam às mães. A saúde mental materna está diretamente ligada ao desenvolvimento emocional, cognitivo e físico das crianças, como apontam estudos internacionais. Quando a mãe não está bem, toda a dinâmica familiar pode ser afetada.
Diante disso, a ampliação do debate e a garantia de um suporte adequado às mulheres é fundamental. Buscar ajuda psicológica, fortalecer redes de apoio e compartilhar experiências são passos importantíssimos. “Não se trata de ser uma mãe perfeita, mas de ter acesso a conhecimento, suporte e ferramentas que realmente funcionem. Quando a mãe está melhor, toda a família se beneficia”, conclui a especialista.
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