Artigos
Movimento discute como tornar ruas mais atrativas para as crianças
Empinar pipa, jogar pião, andar de bicicleta, subir em árvores… Foi-se o tempo em que brincar nas ruas era algo corriqueiro. Em cidades grandes e movimentadas como São Paulo, as crianças hoje brincam no parquinho do prédio ou vão a shoppings e outros espaços privados de lazer. Mas a ocupação de avenidas como a Paulista, Sumaré e o Minhocão, aos domingos, quando carros não circulam, mostra o quanto as pessoas gostam de frequentar esses espaços públicos.
Foi pensando em resgatar essa função das ruas como lugar de diversão e encontros que surge o Movimento R.U.A. (Resgatar o espaço urbano através da arte), que será lançado nesta segunda-feira (8) em evento online com duração de três dias, sempre a partir das 19 horas. Representantes do poder público, organizações não-governamentais, pesquisadores, empresas e especialistas estarão reunidos no encontro virtual para discutir sobre o assunto e propor estratégias que permitam uma maior ocupação das ruas.
“A ideia, com esse movimento, é falar sobre o direito à cidade e como prepará-la para uma maior convivência, para que as pessoas se deem conta desse espaço de relação comunitária, fazendo com que as ruas tenham um caráter lúdico e atrativo para as famílias”, explica o sociólogo Wagner Fernandes, diretor do movimento.
Ele cita o Minhocão como um exemplo do interesse das pessoas pelas ruas. “O Minhocão fica lotado aos domingos, mesmo sem infraestrutura, banheiros e locais para comer. Criou-se ali uma vida cultural muito dinâmica, mesmo sendo um lugar não pensado para isso, o que nos faz entender que as pessoas têm um desejo de estar ali, elas querem estar na rua”, avalia o diretor.
Wagner ressalta, porém, que são poucas as ruas da cidade fechadas aos domingos, e no geral limitam-se ao centro da capital paulista. A intenção do movimento é ampliar essa política, garantindo assim um número maior de espaços públicos para uso pelos moradores, inclusive nas periferias, de modo a evitar o deslocamento das pessoas. “A periferia ainda tem a rua como lugar de lazer, mas não é um espaço acolhedor e divertido. As crianças estão ali mais por falta de opção do que por haver algo interessante acontecendo”, comenta.
Ao usufruir mais das ruas, as pessoas se envolvem com a cidade e passam a cobrar mais dos responsáveis, acredita o diretor do movimento. “Utilizar o espaço público é exercer a cidadania, por isso, é importante resgatar esse hábito nas crianças. O mundo é muito mais interessante e diverso do que o parquinho do prédio. Entendo que esse tipo de bolha é ruim para a criança e ruim para a cidade”.
Programação do evento
A palestra de abertura do evento, na segunda (8), será proferida pela pedagoga e antropóloga Adriana Friedman, Ela irá apresentar resultados de um trabalho de escuta que coordenou, com 240 crianças do Brasil inteiro durante a pandemia. “As crianças nos contaram, por meio de vídeos, falas e desenhos, o que estavam vivendo na pandemia. E esses dados são bem importantes, porque se tratou de um processo de escuta, orientado pelo coletivo A vez e a voz das crianças, com autorização dos pais e consentimento das crianças”, explica a especialista.
Na terça-feira (9), estão previstas apresentações do médico sanitarista Jorge Kayano, que falará sobre os espaços tradicionais de educação no pós-pandemia; o professor Braz Rodrigues Nogueira, que irá contar da experiência da escola sem muros na EMEF Campo Sales, em Heliópolis (SP); e do empreendedor Roni Hirsch, que falará do Erê Lab, empresa especializada em mobiliário urbano para crianças. Já a professora Maria Imaculada Sanches, de Cabo Verde, trará um relato sobre o espaço público e o brincar em Praia (Cabo Verde). As conversas serão mediadas por Ivana Moreira, diretora e fundadora da Canguru News.
Na quarta-feira (10), Giuliana Filiponni, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da cidade de Buenos Aires, apresenta um trabalho sobre participação popular na construção de políticas públicas e o projeto Cidade Amiga; e Vander Lins, coordenador de Eventos, Turismo e Lazer da Cidade de São Paulo, conversa sobre o poder público e a implementação de projetos culturais na cidade. O arquiteto e urbanista Rodrigo Mindlin Loeb, fará a palestra “Como construímos uma cidade mais humana?”; e, por fim, Lu Lopes, também conhecida como a palhaça Rubra, apresenta o projeto Jardins Criativos e as pessoas como protagonistas da rua. O evento acontece no Youtube do Movimento R.U.A.
LEIA TAMBÉM:
[mc4wp_form id=”26137″]
Verônica Fraidenraich
Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. Tem um filho, Martim, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Tem um adolescente em casa? Então, você não pode deixar de ver este documentário, na Netflix
“Por dentro da machosfera” mostra como meninos estão sendo impactados por conteúdos misóginos nas redes
“Jéssica!”: pais entram em trend que promete acabar instantaneamente com crises de birra. Será que funciona?
Vários vídeos espalhados pelas redes sociais mostram que a estratégia, no mínimo, inusitada, funciona. No entanto, efeito pode ser temporário...
Machismo e insinuações sexuais: O lado obscuro da “novela das frutas” que viralizaram entre crianças
Se você tem usado minimamente as redes sociais, são grandes as chances de ter se deparado com publicações sobre as...
25 coisas para viver com seu filho pelo menos uma vez na vida
Mãe, que é neurocientista, cria lista de experiências que ajudam a reforçar o vínculo entre pais e crianças e viraliza...








