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A letra cursiva vai acabar?
Quando introduzir a letra cursiva? Ela é essencial na vida dos alunos? Alguns professores chegam a dizer que a letra cursiva é imprescindível para trabalhar a coordenação motora das crianças. E ainda, que para se ter uma letra bonita precisa, sim, treinar bem o traçado.
Será? Conheço pessoas que tem excelente controle motor e a letra deles é horrível! E será que coordenação motora é para ser trabalhada utilizando-se o treino de letra cursiva? Penso que jogar bola, correr, rodar pneus, arcos, rolar na terra, subir em árvore é muito mais eficaz – e prazeroso!
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Li uma reportagem que me chamou muito a atenção. Os finlandeses, que são líderes no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e cujo país tem a educação mais eficaz do mundo, ficaram sabendo pelos jornais e noticiários que o Ministério da Educação (MEC) pensa em terminar com o ensino da letra cursiva nas escolas, ensinando apenas a letra de forma. Muitos ficaram surpresos pela notícia que mostra que o futuro tecnológico está muito mais perto do que imaginamos. Mesmo defendendo que a letra retrata a personalidade e que é inútil ficar fazendo treinos, quando fiquei sabendo que o fim do ensino da letra cursiva está ameaçada de extinção por decreto, o choque foi inevitável.
Hoje em dia se digita muito mais do que se escreve. Inclusive pessoas adultas em suas rotinas de trabalho utilizam cada vez menos o lápis e o papel. Além do mais, gastar tanto tempo cobrando um traçado certinho já não faz mais sentido, em um mundo digital. A tecnologia está aí, ganhando as salas de aula e a simpatia dos alunos.
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Particularmente, não acho imprescindível o treino da letra cursiva. O que importa é a legibilidade do texto. O problema que pode surgir não está relacionado à aprendizagem de certas habilidades motoras específicas, que se desenvolvem com a prática do traçado desse tipo de letra, mas sim com o fato de que, muitas vezes, quem se habitua a escrever apenas com letras de forma, acaba não sendo estimulado também a aprender, distinguir e respeitar as convenções da escrita.
Uma dessas convenções é particularmente importante: a distinção entre letras maiúsculas e minúsculas. Já vi muitos alunos que escrevem apenas com letras maiúsculas ou que misturam as duas, sem ter em conta as convenções de uso adequado de umas e de outras.
E esse fato, sim, afeta a legibilidade e até mesmo a compreensão dos textos, especialmente os gêneros mais complexos. Por enquanto o projeto está em discussão, vamos ver no que vai dar. Mas uma coisa é certa: Mudanças ainda virão e a pergunta é: Nós professores, estamos prontos para estas mudanças?
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Priscila Pereira Boy
Pedagoga, escritora e palestrante. Educadora parental. Diretora da Priscila Boy Consultoria e do movimento @familias-conectadas.
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