Não exija do seu filho a perfeição

A psicóloga Bruna Richter ressalta que para atender aos desejos dos pais, as crianças exigem de si mais do que deveriam e perdem sua própria liberdade

689
Pais não devem exigir dos filhos que sejam perfeitos; menina sorridente de cabelo crespo apoia braços sobre cacto marrom claro
Diante da demanda de perfeição, seu filho não tem abertura para ser quem desejar
Buscador de educadores parentais
Buscador de educadores parentais
Buscador de educadores parentais

Por Bruna Richter* – Um filho sempre busca atender aos desejos de seus pais. Isso acontece inclusive de forma não consciente. A criança interpreta, ao seu modo, o que acredita ser o esperado e busca agir de acordo com esse norte. E isso acontece não apenas com as vontades manifestas, como também em relação ao que é pensado sobre os pequenos. Os ditos dos pais têm uma influência enorme na constituição dos filhos.

Diante disso, parece aconselhável selecionar os adjetivos que atribuímos a eles. Quando taxada com predicados considerados negativos, como insolente, preguiçosa ou desobediente, a criança interpreta isso como um pedido e preenche esse papel que os pais acabam lhe endereçando, ainda que sem intenção. Contudo, engana-se quem pensa que classificá-la então com características supostamente positivas seria vantajoso.

Um apelo de um cuidador, aos olhos de um filho é um comando.

Algo que é preciso seguir para garantir o amor a ele dispensado. Crianças sentem frequentemente temor da perda desse afeto e, portanto, tendem a tomar a palavra dos pais tal como lei. Elas se submetem pelo medo aos títulos a elas referenciados, ainda que o que se espere da criança seja algo aparentemente benéfico.


Leia também: Idealizar o filho é dar a ele um fardo pesado demais para carregar


Uma das cobranças mais frequentes dos progenitores se refere à perfeição. Os pequenos passam a ter únicos modos de se comportar, caso queiram alcançar esse objetivo e se tornarem filhos perfeitos. Perdem a espontaneidade, não abrem espaço para brincadeiras ou para a criatividade, exigem de si mais do que seria esperado, ou mesmo adequado, a uma criança. Eles acabam perdendo sua própria liberdade.

Diante da demanda de perfeição, seu filho não tem abertura para ser quem desejar. Ele busca insistentemente a aprovação de quem dele cuida, afastando-se de seus próprios anseios e necessidades. Um rótulo é um decreto na vida da criança, que lhe furta o livre-arbítrio e cerceia sua possibilidade de escolha. Filhos perfeitos não existem. Precisamos evitar sentenciá-los e permitir que desenvolvam as potencialidades de tudo o que decidirem ser.

*Bruna Richter é graduada em psicologia pelo Centro Universitário IBMR e em ciências biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pós-graduanda no curso de psicologia positiva e em psicologia clínica, ambas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro (PUC-RJ). Escreveu os livros infantis: “A noite de Nina – Sobre a Solidão”, “A Música de Dentro – Sobre a Tristeza” e ” A Dúvida de Luca – Sobre o Medo”. Elaborou também um folheto educativo para crianças relacionado à pandemia, “De Carona no Corona”. Bruna é ainda uma das fundadoras do Grupo Grão, projeto que promove eventos lúdicos com foco na arte voltado a pessoas socialmente vulneráveis.


Leia também: Assim como somos pais imperfeitos, temos filhos imperfeitos


Gostou do nosso conteúdo? Receba o melhor da Canguru News semanalmente no seu e-mail.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, deixe seu comentário
Seu nome aqui