“É nosso segredo”: 5 frases que crianças precisam reconhecer para se proteger de abusos

Abordagens abusivas raramente começam com violência. Ensinar o que identificar e como reagir pode fazer toda a diferença para proteger os pequenos
Mãe conversando com a filha Foto: Magnific

Quando se pensa em abuso infantil, a primeira imagem que vem à mente é um estranho, um homem sombrio, um monstro. Mas diversas estatísticas já mostraram que a maioria dos casos acontece dentro de casa, com algum conhecido, em quem a criança e a família confiam. Para conseguir isso, sem que ninguém desconfie do que está acontecendo, os criminosos abordam os pequenos não com a força física ou com a violência, mas com táticas de aproximação, construção de confiança e frases que, a princípio, podem parecer inofensivas.

Por isso, para proteger as crianças, é preciso, sim, alertar sobre perigos, mas é mais do que isso: é fundamental ensinar as crianças a reconhecer sinais de manipulação e, principalmente, saber como agir diante deles.

Conversas abertas, diretas e adaptadas à idade são medidas eficazes de prevenção. E elas precisam acontecer antes que qualquer situação de risco aconteça. Aqui, cinco frases comuns em abordagens abusivas e como orientar seu filho a identificá-las:

  1. “É nosso segredo”

Essa é uma das estratégias mais comuns. O adulto cria um pacto de silêncio e pode apresentar a situação como uma brincadeira ou algo “especial” entre os dois.

O que ensinar:
Explique que adultos não devem pedir segredos desse tipo a crianças, especialmente quando envolvem toque ou situações que causam desconforto. Diferencie “segredo bom” (como uma surpresa de aniversário) de “segredo ruim”, que precisa ser contado.

  1. “Se você falar, seus pais vão brigar com você”

Aqui, o objetivo é fazer a criança sentir culpa e medo, como se ela tivesse feito algo errado.

O que ensinar:
Reforce, de forma consistente, que ela nunca será punida por contar a verdade, aconteça o que acontecer. Essa segurança é essencial para que a criança se sinta protegida ao falar.

  1. “Você é especial”

A frase, que parece um elogio, pode ser usada para criar uma relação de proximidade e justificar a quebra de limites físicos.

O que ensinar:
Deixe claro que carinho não envolve toques que deixam a criança desconfortável. Explique que o corpo da criança tem limites e que ninguém precisa tocá-la para demonstrar afeto.

  1. “Ninguém vai acreditar em você”

Essa fala tenta isolar a criança e fazê-la duvidar de si mesma, aumentando o silêncio e a vergonha.

O que ensinar:
Reforce que você sempre vai acreditar nela. Ter um adulto de confiança é um dos principais fatores de proteção contra abusos.

  1. “Se contar, algo ruim vai acontecer”

A ameaça direta é usada para controlar e impedir que a criança peça ajuda.

O que ensinar:
Explique que quem ameaça está errado e que, nessas situações, a criança pode e deve procurar ajuda imediatamente. Validar esse medo, sem reforçá-lo, ajuda a criança a reagir.

O que a criança precisa saber fazer

Além de reconhecer as frases, é fundamental ensinar respostas práticas. Especialistas recomendam treinar três atitudes simples com a criança:

  • Dizer não
  • Sair do local
  • Contar para um adulto de confiança

Essas orientações devem ser repetidas e reforçadas no dia a dia, de forma natural, sem gerar pânico, mas com clareza. Falar sobre abuso não significa tirar a inocência da criança, mas dar ferramentas para que ela se proteja. Quanto mais cedo essa conversa começa, maiores são as chances de prevenção. Proteger também é ensinar a perceber e garantir que a criança saiba que nunca estará sozinha para contar.

Fonte: Wellen Candido Lopes, pedagoga e idealizadora do perfil @turmadocerebrin 

 

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