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Seu filho fica irritado quando está com fome? Estudo ajuda entender mecanismo por trás disso
Por trás das crises de birra mais estratosféricas pode estar uma necessidade humana básica: a comida. A criança pode ser tranquila, boazinha, calma… Mas quando sente fome se transforma e começa a chorar, se irrita por qualquer coisa. É como se tivesse sido substituída por outra pessoa. Isso não é exclusividade da infância, já que acontece com os adultos também. A diferença é que, com a maturidade, aprendemos a controlar as reações.
Um estudo recente publicado na revista The Lancet eBioMedicine ajuda a entender melhor esse comportamento. A irritabilidade associada à fome, que ganhou até um termo em inglês, “hangry” (uma junção de “hungry”, que é “fome, e “angry”, que significa “raiva”), não acontece apenas por uma queda automática da glicose no sangue. O que realmente influencia o humor é a percepção de que se está com fome.
De acordo com o neurocientista Nils Kroemer, autor do estudo, adultos conseguem identificar melhor os sinais do próprio corpo e associar a irritação à fome. Já as crianças pequenas ainda não têm essa habilidade bem consolidada. A consequência é que elas sentem o desconforto, mas não conseguem nomeá-lo. E o resultado, você já viu: vem na forma de birra, choro ou das mudanças bruscas de comportamento.
A informação, elucidada pela ciência, é um lembrete para os pais que nem sempre se trata de “manha”, muito menos “manipulação”, como algumas pessoas costumam dizer. Muitas vezes, é o corpo pedindo energia e a criança sem recursos para entender o que está acontecendo.
O papel da consciência corporal
O estudo também destaca o conceito de interocepção, que é a capacidade de perceber e interpretar sinais internos do corpo, como fome, sede ou cansaço. Pessoas com maior desenvolvimento dessa habilidade tendem a regular melhor as emoções, diante de necessidades.
Na infância, essa percepção ainda está sendo construída. Por isso, o apoio dos adultos é fundamental para ajudar a criança a reconhecer esses sinais. Nomear o que seu filho sente, dizendo, por exemplo “Acho que você está com fome” ou “Vamos fazer um lanche?”, é uma forma simples e eficaz de ensinar, aos poucos, essa conexão entre corpo e emoção.
Além de acolher e ajudar na identificação dos sinais, algumas estratégias podem prevenir esses episódios no dia a dia, como:
- Manter uma rotina alimentar regular, evitando longos períodos sem comer
- Oferecer refeições equilibradas, com proteínas, fibras e gorduras boas, que prolongam a saciedade
- Observar sinais sutis, como cansaço, dificuldade de concentração ou irritação repentina
- Evitar esperar a fome “explodir”, antecipando os lanches quando necessário
Sinais como irritação sem causa aparente, queda de energia e dificuldade de foco podem indicar que o cérebro já está com baixa disponibilidade de energia.
Entender a relação entre fome e comportamento ajuda a mudar o olhar sobre a criança. Em vez de interpretar a irritação como desobediência, é possível enxergar como um sinal legítimo do corpo. Com o tempo (e com a sua ajuda!), a criança aprende a reconhecer esses sinais e a expressá-los melhor. Até lá, rotina, observação e acolhimento fazem toda a diferença.
Canguru News
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