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Conheça algumas dicas para diminuir o enjoo que as crianças sentem na estrada
Por Rafaela Matias
Enfim, férias! Malas no carro, músicas selecionadas, lanchinhos preparados. Tudo certo para mais uma viagem em família. Mas basta colocar o pé na estrada para as reclamações sobre enjoo começarem. Será que é frescura? O que leva as crianças a passarem mal com tanta frequência dentro dos automóveis? A ciência explica.
Em 2017, a Ford Europa encomendou uma pesquisa, com a participação de especialistas de diversos países em doenças do movimento, para estudar as causas que levam as pessoas a sentirem enjoo dentro dos carros. Uma das conclusões foi que crianças e adolescentes são as principais vítimas do problema, que afeta “cerca de dois terços das pessoas em algum momento”, segundo um trecho do documento divulgado pela empresa. O motivo? De acordo com a médica Mariane Franco, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), trata-se, na verdade, de uma doença chamada cinetose, caracterizada como “mal do movimento”, que atinge principalmente crianças entre 2 e 12 anos. Adultos, especialmente aqueles que têm enxaqueca, também podem ser afetados pelo problema, provocado por desencontros entre os sinais que o cérebro recebe dos olhos e do labirinto, no ouvido. “Os principais sintomas são náuseas, desconforto físico, salivação excessiva, tonturas, dor de cabeça e vômitos”, explica Mariane. E não é apenas no carro que as manifestações acontecem. “Qualquer coisa que provoque um movimento expressivo, como barcos e motos, também pode desencadear o mal-estar”, explica.
No estudo realizado pela Ford, outros fatores, além da doença, foram citados como agravantes. Passar longos períodos com a cabeça baixa jogando videogame ou assistindo a filmes, por exemplo, aumentou as chances de sentir enjoo entre pessoas de todas as idades. Os passageiros adultos que ficaram olhando para telas durante um curto percurso demoraram em média apenas dez minutos para começarem a se sentir mal.
Além disso, o estudo mostra que um trajeto mais suave, com menos freadas bruscas ou mudanças repentinas de velocidade, ajuda a diminuir a sensação de náusea, além de economizar combustível. “O enjoo no carro é um problema complexo. É uma reação natural a um estímulo antinatural e não tem cura, mas é possível aliviar os sintomas”, explica o professor Jelte Bos, da TNO Sistemas de Percepção e Cognição, em Soesterberg, na Holanda, um dos participantes da pesquisa encomendada pela Ford (veja no quadro um guia com orientações para prevenir o enjoo dentro dos automóveis).
Um alerta importante da médica Mariane Franco é que os pais nunca devem automedicar seus filhos para evitar que o enjoo aconteça. “Todos os remédios devem ser prescritos pelos médicos da criança. Um otorrinolaringologista ou um pediatra podem prescrever a medicação adequada para estabilizar os sintomas da doença, além de indicar exercícios de equilíbrio que ajudam nesse processo”, arremata.
5 DICAS PARA EVITAR O PROBLEMA EM CRIANÇAS E ADULTOS
» Sente-se, de preferência, no banco da frente ou no meio, quando estiver no banco de trás, para poder enxergar a estrada à frente;
» O motorista deve dirigir de modo suave e, sempre que possível, evitar freadas e acelerações bruscas e passar sobre buracos;
» Distraia quem estiver passando mal – até cantar em família pode ajudar;
» Não há problema em beber refrigerante ou comer biscoitos, mas evite tomar café;
» Use um travesseiro ou um suporte para evitar que a cabeça balance;
» Ligue o ar-condicionado ou abra as janelas para manter a circulação de ar fresco na cabine.
Fonte: estudo encomendado pela Ford Europa
Canguru News
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