[mc4wp_form id=\"26137\"]<\/p>\n","post_title":"A gera\u00e7\u00e3o do quarto: um retrato chocante da juventude brasileira","post_excerpt":"Ap\u00f3s ouvir mais de 3 mil crian\u00e7as e adolescentes que vivem experi\u00eancias traum\u00e1ticas em seus quartos, o pesquisador Hugo Monteiro Ferreira faz um alerta aos pais e \u00e0s escolas sobre a necessidade de mudar a forma de se relacionar com os jovens","post_status":"publish","comment_status":"open","ping_status":"closed","post_password":"","post_name":"a-geracao-do-quarto-o-retrato-chocante-da-juventude-brasileira","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2022-08-30 11:00:28","post_modified_gmt":"2022-08-30 14:00:28","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/cangurunews.com.br\/?p=64515","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":85},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
[mc4wp_form id=\"26137\"]<\/p>\n","post_title":"A gera\u00e7\u00e3o do quarto: um retrato chocante da juventude brasileira","post_excerpt":"Ap\u00f3s ouvir mais de 3 mil crian\u00e7as e adolescentes que vivem experi\u00eancias traum\u00e1ticas em seus quartos, o pesquisador Hugo Monteiro Ferreira faz um alerta aos pais e \u00e0s escolas sobre a necessidade de mudar a forma de se relacionar com os jovens","post_status":"publish","comment_status":"open","ping_status":"closed","post_password":"","post_name":"a-geracao-do-quarto-o-retrato-chocante-da-juventude-brasileira","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2022-08-30 11:00:28","post_modified_gmt":"2022-08-30 14:00:28","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/cangurunews.com.br\/?p=64515","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":85},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
[mc4wp_form id=\"26137\"]<\/p>\n","post_title":"A gera\u00e7\u00e3o do quarto: um retrato chocante da juventude brasileira","post_excerpt":"Ap\u00f3s ouvir mais de 3 mil crian\u00e7as e adolescentes que vivem experi\u00eancias traum\u00e1ticas em seus quartos, o pesquisador Hugo Monteiro Ferreira faz um alerta aos pais e \u00e0s escolas sobre a necessidade de mudar a forma de se relacionar com os jovens","post_status":"publish","comment_status":"open","ping_status":"closed","post_password":"","post_name":"a-geracao-do-quarto-o-retrato-chocante-da-juventude-brasileira","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2022-08-30 11:00:28","post_modified_gmt":"2022-08-30 14:00:28","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/cangurunews.com.br\/?p=64515","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":85},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Ou seja, o esfor\u00e7o dos pais para garantir uma boa estrutura familiar acaba por distanci\u00e1-los dos filhos?<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento, porque a gera\u00e7\u00e3o do quarto cognitivamente n\u00e3o tem problema com boletim escolar. Essa gera\u00e7\u00e3o chega na universidade. Essa causa-consequ\u00eancia que a gente confabulou e afirmou tantas vezes que, por exemplo, vai ter problemas na escola, no rendimento escolar, n\u00e3o \u00e9 um sinal, a gera\u00e7\u00e3o do quarto tem um boletim escolar azul,<\/strong> e os pais n\u00e3o percebem. Eles acham que faz parte da vida estar no quarto.<\/strong> Muitos me dizem isso, \u201cah mas meu filho est\u00e1 no quarto j\u00e1 h\u00e1 tanto tempo que nem me dava conta\u201d. Eles come\u00e7am a se dar conta quando a crian\u00e7a ou o adolescente come\u00e7a a se cortar, quando come\u00e7am a gritar em sil\u00eancio, a\u00ed os pais alertam, mas at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o. Chamam para jantar, quando conseguem, lembrando que pais contempor\u00e2neos vivem muito fora de casa, trabalham muito, com finalidade de dar um futuro para os filhos. <\/p>\n\n\n\n
Ou seja, o esfor\u00e7o dos pais para garantir uma boa estrutura familiar acaba por distanci\u00e1-los dos filhos?<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
[mc4wp_form id=\"26137\"]<\/p>\n","post_title":"A gera\u00e7\u00e3o do quarto: um retrato chocante da juventude brasileira","post_excerpt":"Ap\u00f3s ouvir mais de 3 mil crian\u00e7as e adolescentes que vivem experi\u00eancias traum\u00e1ticas em seus quartos, o pesquisador Hugo Monteiro Ferreira faz um alerta aos pais e \u00e0s escolas sobre a necessidade de mudar a forma de se relacionar com os jovens","post_status":"publish","comment_status":"open","ping_status":"closed","post_password":"","post_name":"a-geracao-do-quarto-o-retrato-chocante-da-juventude-brasileira","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2022-08-30 11:00:28","post_modified_gmt":"2022-08-30 14:00:28","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/cangurunews.com.br\/?p=64515","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":85},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Os pais sabem que t\u00eam um problema em casa?<\/h2>\n\n\n\n
Eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento, porque a gera\u00e7\u00e3o do quarto cognitivamente n\u00e3o tem problema com boletim escolar. Essa gera\u00e7\u00e3o chega na universidade. Essa causa-consequ\u00eancia que a gente confabulou e afirmou tantas vezes que, por exemplo, vai ter problemas na escola, no rendimento escolar, n\u00e3o \u00e9 um sinal, a gera\u00e7\u00e3o do quarto tem um boletim escolar azul,<\/strong> e os pais n\u00e3o percebem. Eles acham que faz parte da vida estar no quarto.<\/strong> Muitos me dizem isso, \u201cah mas meu filho est\u00e1 no quarto j\u00e1 h\u00e1 tanto tempo que nem me dava conta\u201d. Eles come\u00e7am a se dar conta quando a crian\u00e7a ou o adolescente come\u00e7a a se cortar, quando come\u00e7am a gritar em sil\u00eancio, a\u00ed os pais alertam, mas at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o. Chamam para jantar, quando conseguem, lembrando que pais contempor\u00e2neos vivem muito fora de casa, trabalham muito, com finalidade de dar um futuro para os filhos. <\/p>\n\n\n\n
Ou seja, o esfor\u00e7o dos pais para garantir uma boa estrutura familiar acaba por distanci\u00e1-los dos filhos?<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Claro que \u00e9 menos impactante quando o filho diz que n\u00e3o quer ser m\u00e9dico, mas sim ator, pode haver resist\u00eancia mas n\u00e3o t\u00e3o intensa como quando voc\u00ea diz que \u00e9 gay, isso causa um embara\u00e7o. Mas n\u00e3o gosto de condenar os pais e as m\u00e3es, porque acho que eles est\u00e3o envolvidos nesse processo, eles querem acertar, ao menos, os que t\u00eam paternagem e maternagem, que chamo de esp\u00edrito de pai e m\u00e3e. Os que n\u00e3o t\u00eam, esses simplesmente geram os filhos, est\u00e3o ali numa esp\u00e9cie de playground de criar filhos. Mas os que t\u00eam paternagem, eles v\u00e3o tentando encontrar e conseguem, ent\u00e3o nesse caso, essa fissura, esse vazio que se abriu \u00e9 reduzido e a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 compreendida. <\/p>\n\n\n\n
Os pais sabem que t\u00eam um problema em casa?<\/h2>\n\n\n\n
Eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento, porque a gera\u00e7\u00e3o do quarto cognitivamente n\u00e3o tem problema com boletim escolar. Essa gera\u00e7\u00e3o chega na universidade. Essa causa-consequ\u00eancia que a gente confabulou e afirmou tantas vezes que, por exemplo, vai ter problemas na escola, no rendimento escolar, n\u00e3o \u00e9 um sinal, a gera\u00e7\u00e3o do quarto tem um boletim escolar azul,<\/strong> e os pais n\u00e3o percebem. Eles acham que faz parte da vida estar no quarto.<\/strong> Muitos me dizem isso, \u201cah mas meu filho est\u00e1 no quarto j\u00e1 h\u00e1 tanto tempo que nem me dava conta\u201d. Eles come\u00e7am a se dar conta quando a crian\u00e7a ou o adolescente come\u00e7a a se cortar, quando come\u00e7am a gritar em sil\u00eancio, a\u00ed os pais alertam, mas at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o. Chamam para jantar, quando conseguem, lembrando que pais contempor\u00e2neos vivem muito fora de casa, trabalham muito, com finalidade de dar um futuro para os filhos. <\/p>\n\n\n\n
Ou seja, o esfor\u00e7o dos pais para garantir uma boa estrutura familiar acaba por distanci\u00e1-los dos filhos?<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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Essa gera\u00e7\u00e3o mostra que os pais, se n\u00e3o h\u00e1 um modelo estabelecido, eles n\u00e3o se disp\u00f5em a aprender com o que eles veem na realidade, \u00e9 quase que um filho abstrato. Quando o filho real come\u00e7a a emergir e mostrar suas caracter\u00edsticas, os pais come\u00e7am a estranhar aquilo e n\u00e3o entram em processo de di\u00e1logo, se afastam. \u00c9 esse afastamento, esse vazio, que cria a gera\u00e7\u00e3o do quarto. Por isso afirmo que \u00e9 na matriz familiar que a gera\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada, quer dizer, os pais n\u00e3o conseguem observar, de modo geral, a emerg\u00eancia dos humanos que eles mesmos criaram. Eles t\u00eam o humano projetado, \u00e9 quase um molde de um humano. Quando vem uma orienta\u00e7\u00e3o sexual ou um g\u00eanero que n\u00e3o \u00e9 norma, causa um impacto. <\/p>\n\n\n\n
Claro que \u00e9 menos impactante quando o filho diz que n\u00e3o quer ser m\u00e9dico, mas sim ator, pode haver resist\u00eancia mas n\u00e3o t\u00e3o intensa como quando voc\u00ea diz que \u00e9 gay, isso causa um embara\u00e7o. Mas n\u00e3o gosto de condenar os pais e as m\u00e3es, porque acho que eles est\u00e3o envolvidos nesse processo, eles querem acertar, ao menos, os que t\u00eam paternagem e maternagem, que chamo de esp\u00edrito de pai e m\u00e3e. Os que n\u00e3o t\u00eam, esses simplesmente geram os filhos, est\u00e3o ali numa esp\u00e9cie de playground de criar filhos. Mas os que t\u00eam paternagem, eles v\u00e3o tentando encontrar e conseguem, ent\u00e3o nesse caso, essa fissura, esse vazio que se abriu \u00e9 reduzido e a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 compreendida. <\/p>\n\n\n\n
Os pais sabem que t\u00eam um problema em casa?<\/h2>\n\n\n\n
Eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento, porque a gera\u00e7\u00e3o do quarto cognitivamente n\u00e3o tem problema com boletim escolar. Essa gera\u00e7\u00e3o chega na universidade. Essa causa-consequ\u00eancia que a gente confabulou e afirmou tantas vezes que, por exemplo, vai ter problemas na escola, no rendimento escolar, n\u00e3o \u00e9 um sinal, a gera\u00e7\u00e3o do quarto tem um boletim escolar azul,<\/strong> e os pais n\u00e3o percebem. Eles acham que faz parte da vida estar no quarto.<\/strong> Muitos me dizem isso, \u201cah mas meu filho est\u00e1 no quarto j\u00e1 h\u00e1 tanto tempo que nem me dava conta\u201d. Eles come\u00e7am a se dar conta quando a crian\u00e7a ou o adolescente come\u00e7a a se cortar, quando come\u00e7am a gritar em sil\u00eancio, a\u00ed os pais alertam, mas at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o. Chamam para jantar, quando conseguem, lembrando que pais contempor\u00e2neos vivem muito fora de casa, trabalham muito, com finalidade de dar um futuro para os filhos. <\/p>\n\n\n\n
Ou seja, o esfor\u00e7o dos pais para garantir uma boa estrutura familiar acaba por distanci\u00e1-los dos filhos?<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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S\u00e3o pais que rejeitam os filhos? <\/h2>\n\n\n\n
Essa gera\u00e7\u00e3o mostra que os pais, se n\u00e3o h\u00e1 um modelo estabelecido, eles n\u00e3o se disp\u00f5em a aprender com o que eles veem na realidade, \u00e9 quase que um filho abstrato. Quando o filho real come\u00e7a a emergir e mostrar suas caracter\u00edsticas, os pais come\u00e7am a estranhar aquilo e n\u00e3o entram em processo de di\u00e1logo, se afastam. \u00c9 esse afastamento, esse vazio, que cria a gera\u00e7\u00e3o do quarto. Por isso afirmo que \u00e9 na matriz familiar que a gera\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada, quer dizer, os pais n\u00e3o conseguem observar, de modo geral, a emerg\u00eancia dos humanos que eles mesmos criaram. Eles t\u00eam o humano projetado, \u00e9 quase um molde de um humano. Quando vem uma orienta\u00e7\u00e3o sexual ou um g\u00eanero que n\u00e3o \u00e9 norma, causa um impacto. <\/p>\n\n\n\n
Claro que \u00e9 menos impactante quando o filho diz que n\u00e3o quer ser m\u00e9dico, mas sim ator, pode haver resist\u00eancia mas n\u00e3o t\u00e3o intensa como quando voc\u00ea diz que \u00e9 gay, isso causa um embara\u00e7o. Mas n\u00e3o gosto de condenar os pais e as m\u00e3es, porque acho que eles est\u00e3o envolvidos nesse processo, eles querem acertar, ao menos, os que t\u00eam paternagem e maternagem, que chamo de esp\u00edrito de pai e m\u00e3e. Os que n\u00e3o t\u00eam, esses simplesmente geram os filhos, est\u00e3o ali numa esp\u00e9cie de playground de criar filhos. Mas os que t\u00eam paternagem, eles v\u00e3o tentando encontrar e conseguem, ent\u00e3o nesse caso, essa fissura, esse vazio que se abriu \u00e9 reduzido e a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 compreendida. <\/p>\n\n\n\n
Os pais sabem que t\u00eam um problema em casa?<\/h2>\n\n\n\n
Eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento, porque a gera\u00e7\u00e3o do quarto cognitivamente n\u00e3o tem problema com boletim escolar. Essa gera\u00e7\u00e3o chega na universidade. Essa causa-consequ\u00eancia que a gente confabulou e afirmou tantas vezes que, por exemplo, vai ter problemas na escola, no rendimento escolar, n\u00e3o \u00e9 um sinal, a gera\u00e7\u00e3o do quarto tem um boletim escolar azul,<\/strong> e os pais n\u00e3o percebem. Eles acham que faz parte da vida estar no quarto.<\/strong> Muitos me dizem isso, \u201cah mas meu filho est\u00e1 no quarto j\u00e1 h\u00e1 tanto tempo que nem me dava conta\u201d. Eles come\u00e7am a se dar conta quando a crian\u00e7a ou o adolescente come\u00e7a a se cortar, quando come\u00e7am a gritar em sil\u00eancio, a\u00ed os pais alertam, mas at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o. Chamam para jantar, quando conseguem, lembrando que pais contempor\u00e2neos vivem muito fora de casa, trabalham muito, com finalidade de dar um futuro para os filhos. <\/p>\n\n\n\n
Ou seja, o esfor\u00e7o dos pais para garantir uma boa estrutura familiar acaba por distanci\u00e1-los dos filhos?<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 a alternativa que se deu para a fam\u00edlia. Num pa\u00eds de mais de 210 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que para e reflete sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Para os que est\u00e3o abaixo da linha da mis\u00e9ria tem que pensar muito como se recupera. H\u00e1 uma quest\u00e3o importante: o fen\u00f4meno da gera\u00e7\u00e3o do quarto se d\u00e1 em todas as classes sociais, mas as estrat\u00e9gias trabalhadas mudam. Tem muitas pessoas que usam a gravidez, por exemplo, como forma de sair de uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Engravidar pode ser uma esp\u00e9cie de promo\u00e7\u00e3o social, ou seja, o problema \u00e9 o mesmo, a dor ps\u00edquica \u00e9 a mesma, mas a maneira de lidar com ela \u00e9 diferente. <\/p>\n\n\n\n
Os jovens n\u00e3o se abrem com os pais, mas n\u00e3o se opuseram a falar com voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n
Talvez o que favorece para um pesquisador como eu \u00e9 me dispor a escutar sem condenar, sem julgamento. Eu escuto para acolher e esse talvez seja um potencial que a gente possa ensinar aos pais e \u00e0s m\u00e3es, para que o filho diga o que pensa, o que acha, o que gosta e n\u00e3o gosta, se sinta confort\u00e1vel em ser diferente dos pais. Acho que as fam\u00edlias escutam julgando, comparando e sentenciando demais. As crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam, s\u00e3o muito sens\u00edveis, muito cr\u00edticas, elas conseguem responder perguntas, falar sobre sentimentos com quem elas se sentem confort\u00e1veis. Al\u00e9m disso, uma das t\u00e9cnicas que utilizei, o question\u00e1rio online, me trouxe muitas respostas, porque tinha perguntas abertas. Alguns dos depoimentos que apresento no livro eu n\u00e3o ouvi, eu li. Quando n\u00e3o tenho que dizer meu nome, quem eu sou, de onde sou, qual minha idade, me sinto mais livre para falar, pedir ajuda. Foram esses depoimentos que me causaram impacto e me fizeram depois entrevistar o grupo menor por meio de rodas de conversa. <\/p>\n\n\n\n
Qual o papel da escola nesse contexto?<\/h2>\n\n\n\n
Eu sou um profissional e defensor da escola, a escola para mim \u00e9 uma grande inven\u00e7\u00e3o social, cumpre papel de forma\u00e7\u00e3o, de complementaridade, sobretudo no campo do que chamamos de conhecimento cient\u00edfico. Ela tamb\u00e9m tem um papel social, porque trabalha com pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, mas ela precisa ser revisitada e reformulada nos seus objetivos matriciais. A escola n\u00e3o pode querer exclusivamente formar do ponto vista cognitivo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco que se manifesta sobretudo nessas escolas, que insistem num modelo de concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o, ranqueamento, na nota como resposta \u00e0 aprendizagem. S\u00e3o escolas desconectadas com grandes problemas contempor\u00e2neos, como a sobreviv\u00eancia do Planeta Terra. Temos um planeta amea\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o, de aus\u00eancia de comida, amea\u00e7ado no campo dos povos origin\u00e1rios, ent\u00e3o essas s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que a escola deve ter. <\/p>\n\n\n\n
Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade, temos uma sociedade que se mostra violenta com as minorias, racista e mis\u00f3gina. As mulheres sofrem muito nessa sociedade. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para discutir f\u00f3rmulas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, sintaxe da l\u00edngua. <\/p>\n\n\n\n
A escola \u00e9 para ajudar a usar o conhecimento cient\u00edfico na melhoria da qualidade de vida das pessoas, da minha e dos outros. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o se ela n\u00e3o faz isso, se insiste na concorr\u00eancia, em colocar aqueles que s\u00e3o bons e n\u00e3o s\u00e3o bons, os que s\u00e3o inteligentes e os que n\u00e3o s\u00e3o inteligentes, e ela tem insistido, ela ajuda a adoecer. \u00c9 o que digo no livro. <\/p>\n\n\n\n
O que dizer aos pais e m\u00e3es da gera\u00e7\u00e3o do quarto?<\/h2>\n\n\n\n
Os filhos e as filhas v\u00e3o precisar muito mesmo dos pais. Tem dois cen\u00e1rios, um \u00e9 ajudar meu filho a n\u00e3o entrar no quarto e o outro \u00e9 ajudar o filho que j\u00e1 est\u00e1 no quarto. No livro eu falo de cinco pilares: cuidado, autoconhecimento, conviv\u00eancia, dialogicidade e amorosidade. Trabalhar a fam\u00edlia e a escola a partir dessas sustenta\u00e7\u00f5es \u00e9 preventivo, mas pode servir tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es de pessoas que j\u00e1 est\u00e3o adoecidas, neste caso, associado ao acompanhamento de um profissional da sa\u00fade mental - psic\u00f3logo, psiquiatra, psicanalista, a depender do caso.<\/p>\n\n\n\n
O pilar do cuidado<\/strong> trata sobre a import\u00e2ncia do cuidado consigo e do cuidado com o outro, o que implica tratar das quest\u00f5es relacionadas a respeito, compreens\u00e3o, conviv\u00eancia, uso abusivo de \u00e1lcool, relacionamentos abusivos, bullying, ciberbullying, uso excessivo de redes sociais digitais, entre outros aspectos.
O pilar do autoconhecimento<\/strong> trata sobre a biografia, a hist\u00f3ria de cada pessoa, a fam\u00edlia. Proponho um trabalho sobre ancestralidade, que a pessoa conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria de vida, conhe\u00e7a seu pai, sua m\u00e3e, sua opini\u00e3o, seus gostos. Isso tem a ver com quem eu sou, do ponto de vista \u00e9tico, e vai me dar uma seguran\u00e7a para enfrentar aquilo que querem que eu seja. Eu sou isso, mas querem que eu seja aquilo. N\u00e3o escondo minhas fragilidades, sou amado, o que d\u00e1 seguran\u00e7a. N\u00e3o vou dizer para minha crian\u00e7a que a vida \u00e9 f\u00e1cil, um mar de rosas, que ela nunca vai encontrar desafios, mas vou ajud\u00e1-la e fortalec\u00ea-la para que ela possa enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n
No pilar da conviv\u00eancia<\/strong>, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre aprender a ser e aprender a conviver. Trato de situa\u00e7\u00f5es cotidianas que evocam reflex\u00f5es \u00e9ticas, morais e espirituais, para as quais a compaix\u00e3o, a empatia e a resili\u00eancia s\u00e3o habilidades necess\u00e1rias e essenciais. O exerc\u00edcio da dialogicidade<\/strong> \u00e9 realizado quando as pessoas aprendem a falar o que pensam e sentem, mas entendem que o que pensam e sentem n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a verdade. O pilar da amorosidade<\/strong> \u00e9 tratado com reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. As reflex\u00f5es geram as a\u00e7\u00f5es, e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realizadas de modo mec\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n
Os pais podem aprender com os filhos?<\/h2>\n\n\n\n
O livro n\u00e3o tem que ser uma pedra para atirar nos pais e na escola, tem que ser um acalanto. Eu acho que a gera\u00e7\u00e3o do quarto \u00e9 t\u00e3o potente que nos possibilita reaprender a viver, tenho grande esperan\u00e7a na gera\u00e7\u00e3o do quarto, a mesma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 violenta me ensina novos modos de amor, n\u00e3o vejo a gera\u00e7\u00e3o como fracassada, que n\u00e3o deu certo, acho um absurdo dizer que \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o parasita, \"nem-nem\". Obviamente ela traz todas as mazelas, n\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o do quarto que inventou o abuso do \u00e1lcool, a viol\u00eancia, esses foram c\u00f3digos sempre usados, mas a gera\u00e7\u00e3o do quarto est\u00e1 nos dando outras alternativas, como maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre consumo, meio ambiente, empoderamento das meninas, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. Essa gera\u00e7\u00e3o tem muita coisa a nos mostrar, n\u00e3o precisamos ter medo, podemos aprender com elas. <\/p>\n\n\n\n
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