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Antes de falar “não” para o álbum de figurinhas da Copa que seu filho pediu, você precisa ler isso
Os pais quase caíram de costas ao ver quanto custa o álbum e, pior, as figurinhas necessárias para completá-lo, nesta edição da Copa do Mundo. Uma brincadeira com ares nostálgicos, que tem tudo para criar memórias e momentos de conexão entre os amigos e a família, agora exige um investimento que pesa no orçamento, em muitos casos.
Então, em vez da sintonia, cada lado enxerga a questão por um prisma totalmente oposto. Enquanto você vê o álbum e pensa: “Muito dinheiro gasto com algo passageiro; seu filho olha e pensa: “Eu preciso disso”. A diferença entre essas duas percepções ajuda a explicar por que um simples pedido pode virar conflito dentro de casa.
Em defesa do seu filho, a psicóloga de adolescentes Kassandra Vargas explica que, para eles, raramente é só sobre o álbum. Na adolescência e mesmo no fim da infância fazer parte do grupo ganha uma dimensão emocional muito maior do que os adultos costumam imaginar. “Nessa idade, algumas coisas ganham um peso um pouco maior: fazer parte, ter algo em comum, não ficar de fora”, explica.
É por isso que aquilo que parece apenas consumo pode funcionar como uma forma de conexão social. O álbum vira assunto na escola, motivo para conversar, trocar figurinhas, rir junto e criar vínculos. “Ele vira mais do que um objeto”, diz a especialista.
Trocar figurinhas envolve ainda habilidades sociais reais. A criança aprende a negociar, esperar, lidar com frustração, defender seus interesses e interagir com os outros. “É um treino que ajuda também a saber lidar com a frustração e se posicionar”, afirma Kassandra. Tem a sensação de conquista. Procurar as figurinhas que faltam, organizar o álbum e completar páginas ativa motivação, persistência e prazer em alcançar objetivos. Isso sem falar que, em tempos em que tantas interações acontecem pelas telas, experiências presenciais compartilhadas ganham ainda mais valor.
Mas será que isso significa dizer “sim” para qualquer pedido? Não necessariamente. Para a psicóloga, a questão principal não é o objeto em si, mas o significado que ele ocupa na vida da criança ou do adolescente e isso depende da individualidade e do momento de cada um. “Se for só consumo vazio, perde o valor. Mas se vira conexão com amigos, momentos em família e experiências fora da tela, o sentido muda completamente”, observa Kassandra.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “vale a pena comprar?”, mas algo mais profundo: “o que isso representa para o seu filho?”
Quando os adultos enxergam somente o pedido material, podem deixar escapar a necessidade emocional por trás daquele desejo. “Pode parecer só um álbum. Mas, para a criança, pode ser pertencimento, conexão, identidade”, resume Kassandra Vargas. Compreender isso pode transformar a relação entre pais e filhos.
Canguru News
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