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A série ‘Adolescência’ e o bullying ainda mais cruel para jovens com deficiência

A adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta, marcado por grandes mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Nessa fase acontece uma busca maior por identidade, pertencimento e aceitação social.
A nova série da Netflix, “Adolescência”, que tem dado o que falar, explora as complexidades das relações familiares e os desafios emocionais enfrentados pelos adolescentes na era digital. Os quatro episódios nos convidam a refletir sobre temas importantes e urgentes como: o impacto causado pelas redes sociais na saúde mental dos jovens; masculinidade tóxica; disseminação de ideologias misóginas; bullying e cyberbullying; dificuldades enfrentadas pelos pais que se veem perdidos e cada vez mais distantes dos filhos; conflitos e violência na escola, com professores e coordenadores despreparados para colocar limites e promover um ambiente de paz.
O bullying é uma realidade cruel para muitos adolescentes, e quando falamos de jovens com deficiência, os dados mostram um cenário ainda mais preocupante. Estudos indicam que adolescentes com deficiência são mais propensos a sofrer agressões verbais, psicológicas e até físicas. O capacitismo, que é o preconceito contra pessoas com deficiência, está muitas vezes na raiz desse problema, manifestando-se na forma de piadas, isolamento social e falta de representatividade.
O personagem principal da serie – Jamie – é um garoto típico, inteligente, de 13 anos. Um filho e irmão aparentemente tranquilo, que gostava de desenhar, jogar videogame e que de repente se torna um assassino, causando grande espanto nos pais. No desenrolar da história, ele acaba revelando que enfrentava dificuldades para se encaixar socialmente.
Para as famílias que têm filhos com deficiência, que não se encaixam nos padrões da sociedade, a fase da adolescência traz preocupações extras. Como garantir que os filhos sejam respeitados e acolhidos socialmente? Como fortalecer a autoestima diante do pensamento capacitista que desencoraja, infantiliza e enxerga apenas suas limitações e incapacidades?
A série, que alcançou o topo das listas de mais assistidas nesta semana, traz uma abordagem realista e provocativa sobre os desafios enfrentados pelos adolescentes na sociedade contemporânea. Diante desse cenário, é urgente que famílias, escolas e toda a sociedade se unam para promover uma educação digital mais consciente, ambientes escolares verdadeiramente inclusivos e espaços de escuta e acolhimento em casa. Mais do que reagir a crises, precisamos agir preventivamente, ensinando empatia, construindo relações de confiança e garantindo que nenhum jovem – com ou sem deficiência – se sinta isolado ou desamparado.
Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
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