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A liberdade de expressão e o paradoxo da tolerância
A liberdade de expressão é um dos pilares de uma sociedade democrática. Ela garante a todo indivíduo o direito de exprimir sua opinião. Mas até que ponto devemos estar dispostos a ouvir e respeitar visões diferentes das nossas? O que é opinião e o que é preconceito ou mentira camuflado como opinião? Até que ponto é possível lidar com uma divergência saudável? Qual o limite da tolerância? Podemos tolerar qualquer opinião, mesmo quando essa opinião tem como pano de fundo a intolerância?
Nesse período pós eleitoral estamos tendo que lidar com o extremismo. É aceitável a crença de que determinados grupos devem ser segregados, punidos? Incitar violência e ódio é opinião? Devemos ser tolerantes com o intolerante?
Em nenhum contexto é aceitável ser racista, homofóbico, transfobico, misógino ou cometer qualquer crime de ódio como se isso fosse apenas uma opinião, ou se tratasse de liberdade de expressão. A liberdade de expressão não deve ser usada para incitar crimes, ela não é ilimitada, irrestrita.
Há pessoas que acreditam que liberdade de expressão deve ser irrestrita, e que restringir o que pode ou não ser dito é censura. Liberdade para mentir, para prejudicar outras pessoas, para discriminar, é tolerável?
“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles”, disse o filósofo e professor Karl Popper.
Proibir a disseminação da mentira é censura? Ou há limites para a tolerância para que ela não desapareça?
O correto, o ético seria que nós soubéssemos recalcar, deixar guardado no nosso inconsciente toda a intolerância, o preconceito para que não houvesse necessidade da censura vir de terceiros. Ou de ter que ser lembrado que no nosso país existem leis e uma Constituição que deve ser respeitada.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Bebel Soares
Bebel Soares é arquiteta urbanista, psicanalista, escritora, mãe do Felipe e fundadora da comunidade materna Padecendo no Paraíso, onde informa e dá suporte a mães desde 2011.
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