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A estratégia parental que todos deveriam dominar; psicóloga explica o que fazer se você gritou com seu filho

Por mais que se estude sobre disciplina positiva, com técnicas para se acalmar, adotar abordagens não violentas, respirar e se afastar antes de reagir, diante de situações desafiadoras… Não tem jeito! Somos humanos e, de vez em quando, as emoções acabam vencendo e passamos dos limites. Ainda mais em uma missão tão complexa como a de educar seres humanos. Que atire a primeira pedra quem nunca perdeu a paciência!
Se você já gritou com seu filho, provavelmente, já sabe o sentimento que vem em seguida: a culpa. Mas é importante saber que não é a única. A psicóloga clínica norte-americana Becky Kennedy, criadora da abordagem Good Inside e uma das maiores referências em parentalidade da atualidade, defende que a saúde emocional de uma família não é mensurada pela ausência de conflitos, mas pela capacidade dos pais na capacidade de reparação. Para ela, todas as crianças são “boas por dentro”, mesmo quando apresentam comportamentos desafiadores. O papel do adulto é ajudar os pequenos a se sentirem seguros o suficiente para aprender com as emoções intensas.
Segundo Becky, quando um pai ou uma mãe perde a paciência, o primeiro passo não é justificar o grito, mas restabelecer o vínculo. Ela sugere algo simples e poderoso: aproximar-se, assumir a responsabilidade e expressar o desejo genuíno de fazer diferente. Depois de uma situação caótica, um exemplo de fala seria: “Eu me descontrolei e gritei. Não era isso que eu queria. Você não tem culpa. Estou aqui com você e vou tentar de outro jeito.” Essa postura não diminui a autoridade do adulto — pelo contrário, mostra à criança que liderança e vulnerabilidade podem coexistir.
Valide a emoção sem ceder ao comportamento
Outro ponto central da estratégia dela é lembrar que comportamento não é a mesma coisa que identidade. A criança pode até agir de forma errada, mas isso não significa que ela é errada. Essa distinção preserva a autoestima e abre espaço para limites firmes serem aplicados com empatia: “Eu entendo que você ficou muito frustrado, mas não posso deixar você bater”. Para Becky, validar a emoção sem ceder ao comportamento ensina autorregulação, um dos pilares para o desenvolvimento emocional saudável.
A psicóloga também destaca a importância da corregulação: crianças não conseguem se acalmar sozinhas, e precisam do adulto como porto seguro. Quando o pai se recompõe após o grito e se coloca novamente como um líder gentil — firme, mas acolhedor — a criança aprende que emoções fortes podem ser navegadas em segurança. Essa é a base do vínculo e da construção de resiliência.
Por fim, a especialista lembra que o objetivo não é a perfeição. Famílias funcionais não são feitas de pais impecáveis, mas de relações com espaço para pedir desculpas, tentar de novo e construir confiança dia após dia.
Canguru News
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