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A cada 5 crianças, pelo menos uma tem ansiedade. É o caso do seu filho?
Segundo o Unicef, 1 em cada 7 crianças e adolescentes vive com algum transtorno mental diagnosticado, sendo ansiedade e depressão responsáveis por cerca de 40% dos casos. Só a ansiedade afeta uma em cada cinco crianças, quadro se pirou depois da pandemia. Um estudo publicado na revista científica JAMA Pediatrics aponta que as taxas de ansiedade podem chegar a 20% entre crianças em países de alta renda. Mas o que preocupa mesmo não são os números e sim os impactos no desenvolvimento.
Identificar transtornos como a ansiedade, em crianças, é um desafio. A questão nem sempre aparece de uma forma óbvia. Muitas vezes, se esconde em sintomas que, por anos, foram considerados parte do crescimento: dor de barriga antes de uma prova, falta de apetite, dificuldade para dormir, irritação sem motivo claro ou até o hábito de roer unhas. Hoje, no entanto, sabemos que tudo isso pode ser uma manifestação importante de sofrimento emocional.
Para Mariana Ruske, pedagoga e fundadora da Senses Montessori School, é preciso abandonar a ideia de que se trata apenas de uma fase difícil. “O estresse crônico na infância pode alterar a estrutura do cérebro em formação. Sem suporte adequado, a criança passa a se organizar emocionalmente a partir do medo”, explica.
Pesquisas do Harvard Center on the Developing Child mostram que esse estresse prolongado pode afetar áreas como o hipocampo e a amígdala, diretamente ligadas à memória e à regulação emocional.
O papel do ambiente (e dos adultos)
Na prática, o que mais protege uma criança ansiosa não é uma técnica isolada, mas o ambiente ao redor dela, especialmente os adultos de referência. “Uma criança não se regula sozinha. O que regula uma criança ansiosa é o adulto regulado ao lado dela”, aponta Mariana. Esse processo é conhecido como corregulação: o cérebro infantil responde diretamente ao estado emocional dos adultos. Ou seja, não adianta pedir calma se quem está ao redor também está sobrecarregado.
Pequenas mudanças que fazem diferença
Algumas atitudes no dia a dia podem ajudar. Validar o que a criança sente é um dos primeiros passos. Nomear a emoção, dizendo algo como “eu vejo que você está com medo”, não reforça a ansiedade. Ao contrário, cria segurança e mostra que ela não está sozinha naquele sentimento.
Outro ponto importante é a previsibilidade. Rotinas ajudam a reduzir a sensação de ameaça para o cérebro ansioso. Isso não significa rigidez, mas uma organização básica do dia. E aqui entra um alerta: agendas cheias demais podem piorar o quadro. Criança precisa de tempo livre! “O ócio é fundamental. É nesse espaço que a criança processa o que viveu, descansa o cérebro e cria”, diz a pedagoga.
Desconfortos fazem parte
Um dos pontos mais desafiadores para muitas famílias é permitir que a criança enfrente frustrações e dificuldades. Resolver tudo pode parecer cuidado, mas, a longo prazo, enfraquece a confiança. Quando a criança não experimenta o desconforto, não aprende que é capaz de lidar com ele. Esse processo está diretamente ligado à construção da autoestima.
Quando buscar ajuda?
A parceria entre família e escola é essencial para identificar mudanças de comportamento, notar que a criança não está bem e oferecer o suporte de que ela precisa. Quando os sinais são frequentes, intensos ou persistentes, procurar ajuda especializada é fundamental. “Pedir ajuda não é exagero, é cuidado. Quanto antes a criança for acolhida, maiores são as chances de um desenvolvimento emocional mais saudável”, finaliza Mariana.
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