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‘Cada vacina significa uma proteção a mais e uma doença a menos’
Enfim, chegou a hora da vacina das crianças! Para os pais, pode dar aquele aperto no coração pensar que a picada da agulha vai doer um pouquinho, mas é ao mesmo tempo um alívio saber que cada vacina significa uma proteção a mais e uma doença a menos.
Aqui no Brasil a vacinação não é uma escolha, é uma obrigatoriedade definida por lei. Toda criança tem o direito de ser vacinada, e cabe aos pais, após entenderem todas as diferenças, definir se vão dar as vacinas gratuitas da rede pública, se vão optar por um calendário mais completo oferecido pelas clínicas de vacinação privadas ou ainda optar por um “mix” entre o público (gratuito) e o privado (pago).
As vacinas protegem o nosso organismo de diversos vírus e bactérias, ou, pelo menos, protegem contra o contágio de formas mais graves daquela doença proposta na vacina. Ou seja, não é porque seu filho recebeu a vacina de varicela (catapora), por exemplo, que ele estará 100% imune à doença. Mas com certeza ele estará protegido contra as formas graves, evitando assim possíveis internações e sequelas. Além disso, a opção de não vacinar a criança não colocaria somente a mesma em risco, mas também toda a população ao seu redor. Supondo que a criança não vacinada contraia uma doença como a rubéola, por exemplo, possivelmente ela não terá nenhuma sequela grave, mas em contato com uma gestante ou um indivíduo com a imunidade comprometida, mesmo no período de incubação, quando ainda não apresenta nenhum sintoma, poderia transmitir o microrganismo – e, para esse grupo de pessoas, as consequências poderão ser nefastas, por isso a vacinação é tão importante.
A primeira vacina que se tem registro foi a de varíola, no século XVIII, descoberta pelo médico britânico Edward Jenner. As vacinas foram um grande avanço da medicina e são fundamentais na prevenção de diversas doenças, como afirma o pesquisador americano Stanley Plotkin: “Com exceção da água potável, nenhuma outra modalidade, nem mesmo antibióticos, teve tanto efeito na redução da mortalidade e no crescimento da população como as vacinas”. Para se ter uma noção dos efeitos grandiosos das vacinas deixei aqui dois fatos impactantes:
- Hoje as vacinas salvam aproximadamente três milhões de vidas por ano.
- No Brasil, as vacinas contribuíram para um aumento de aproximadamente 30 anos na expectativa de vida da população.
Contudo, mesmo com tantos fatos comprovando os efeitos incríveis que as vacinas nos proporcionam, há uma queda progressiva no número de vacinados no mundo, e isso se agravou com e após a pandemia de Covid-19. Conforme aponta relatório da Organização Mundial da Saúde, retrocedemos o equivalente a 30 anos de avanços na vacinação infantil. Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 3 em cada 10 crianças brasileiras não receberam as vacinas necessárias para prevenir doenças que podem ser fatais: sarampo, caxumba, rubéola e poliomielite, para citar algumas delas. Para crianças menores de 2 anos, essa situação é ainda mais alarmante, com dados mostrando que aproximadamente 50% desses bebês não estão com suas vacinas em dia. A diminuição brutal das taxas de coberturas vacinais provoca risco de retorno de doenças eliminadas ou a perda do controle sobre tantas outras, o que pode provocar surtos, colocando a sua vida e a de quem você ama em risco.
Em parte, esse fenômeno é explicado porque embora as vacinas eliminaram doenças, evitam mortes e sequelas, o sucesso da vacinação ao longo dos anos permitiu que as pessoas esquecessem as doenças e seus riscos, e, com isso, não conseguem mais enxergar sua importância. Ninguém quer voltar a ver surtos de doenças potencialmente graves que podem ser evitadas e para isso é preciso da conscientização de que sem as coberturas vacinais adequadas o retrocesso por ser ainda maior.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Marcela Ferreira Noronha
Pediatra, educadora parental e nefrologista infantil. Mãe do Lucas e da Isabela. Formada em medicina pela Universidade São Francisco (SP) em 2006, com residência em pediatria pelo Hospital Menino Jesus de São Paulo, e especialização em nefrologia infantil pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Educadora Parental certificada pela Positive Discipline Association. Fez pediatria por vocação e tem como missão de vida tornar crianças e adultos felizes, respeitosos, com inteligência emocional, senso comunitário, física e emocionalmente saudáveis.
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