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4 regras de Jonathan Haidt para proteger a infância na era dos smartphones
Se você é pai, mãe ou responsável por alguma criança ou adolescente neste século, provavelmente já ouviu falar de Jonathan Haidt. O sociólogo social e professor da Universidade de Nova York, Jonathan Haidt se tornou uma das vozes mais influentes no debate sobre infância e tecnologia (um dos assuntos que preocupam 10 em cada 10 famílias, pelo mundo) depois do lançamento do best-seller “A Geração Ansiosa”.
Na obra, ele defende que estamos vivendo uma “grande reconfiguração da infância”, marcada pela substituição das brincadeiras livres no mundo real por uma infância mediada por telas, fenômeno que, segundo ele, está diretamente ligado ao aumento de ansiedade, depressão e isolamento entre adolescentes. “Superprotegemos as crianças no mundo real e as abandonamos no mundo virtual”, escreve Haidt, ao resumir o paradoxo contemporâneo.
A partir de suas pesquisas, o especialista defende que dar acesso irrestrito a smartphones e redes sociais antes da maturidade emocional expõe meninos e meninas a comparações constantes, cyberbullying, conteúdo violento e pressões sociais para as quais o cérebro ainda não está preparado. Por isso, propõe limites claros para proteger a saúde mental e devolver às crianças aquilo que considera essencial ao desenvolvimento: autonomia, convivência presencial e experiências reais.
Aqui, ele dá quatro dicas essenciais para proteger nossos filhos, na era dos smartphones e redes sociais. Confira:
- Nada de smartphone antes dos 14 anos
“Você pode dar ao seu filho um celular comum. Assim, ele pode te mandar mensagem, pode te ligar, se precisar, quando sair. Mas você não dá a uma criança a possibilidade de ficar com a a internet no bolso, onde estranhos podem chegar até ela, onde elas podem assistir a vídeos de decapitação. Você não dá isso para uma criança carregar com ela o tempo todo”, afirma o especialista.
- Nada de redes sociais antes dos 16
“As próprias crianças dizem isso. Jovens de 18 anos dizem isso. Eles gostariam que isso não existisse, mas se sentem “presos”, capturados por essa armadilha. Então, que tal simplesmente adiar até os 16? Não deixe as crianças passarem pela puberdade nas redes sociais. Esse é um período realmente vulnerável”, defende.
- Escolas sem celular
“Imagine (para vocês que foram à escola antes da internet) que a escola tivesse uma nova regra: agora, você pode levar sua televisão de casa, seus walkie-talkies, seu toca-discos. Coloque tudo sob a carteira. E você pode usar tudo enquanto o professor está falando. Isso é totalmente insano, mas é o que fizemos”, compara. Para Haidt, ainda que as escolas que permitem levar o celular tenham regras, proibindo de usar durante a aula, não funciona. “As crianças escondem atrás do livro ou deixam embaixo da carteira, quando querem mandar mensagens ou assistir a pornografia”, detalha.
- Muito mais independência
As crianças precisam de mais brincadeiras livres e mais responsabilidade no mundo real. “Assim como todo mundo tinha até os anos 1990”, diz ele. “As crianças precisam aprender a se autogovernar; e a forma como elas aprendem isso é tendo mais autonomia. Se estão fora de casa, com um grupo de amigos, eles entram em conflitos, resolvem os conflitos. Não pode haver um adulto supervisionando o tempo todo, até que eles entrem na faculdade”, diz ele.
Não é fácil lutar contra uma corrente tão forte, que parece engolir – a nós e aos nossos filhos – tempo todo. Mas diante de acontecimentos cada vez mais pesados e das altas taxas de questões de saúde mental e emocional na infância e adolescência, não dá para cruzar os braços ou abandonar os pequenos no mundo virtual. Não dá para desistir das nossas crianças.
Quais dessas regras você aplica ou pretende aplicar aí na sua casa?
Canguru News
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