O que acontece quando toda uma cidade resolve adiar o uso de celular pelas crianças? Este vilarejo na Irlanda pretende descobrir

Em Greystones, famílias se uniram para reduzir o uso de smartphones entre crianças e mostram como o coletivo pode mudar hábitos
Os organizadores perceberam que tentar limitar o uso de telas de forma individual tinha pouco efeito Foto: Freepik

Em um cenário em que crianças têm acesso cada vez mais precoce a celulares, um movimento em um vilarejo chamado Greystones, na Irlanda, tem chamado a atenção do mundo. Isso porque eles lançaram uma iniciativa inédita e coletiva para frear um dos maiores problemas da atualidade para pais, mães e educadores: o uso precoce do celular pelas crianças. De acordo com uma reportagem do jornal The New York Times, famílias, escolas e a comunidade decidiram agir juntos para frear o uso de smartphones entre os mais novos e resgatar uma infância com mais tempo offline.

Tudo começou em 2023, quando famílias e educadores passaram a perceber impactos do uso excessivo de telas: aumento da ansiedade, dificuldades de sono e problemas de concentração entre crianças. Em vez de uma proibição isolada, eles resolveram firmar uma espécie de pacto coletivo.

O projeto, conhecido como “It Takes a Village” (“É preciso uma aldeia”), propõe algo simples e poderoso: os pais se comprometem a não dar smartphones aos filhos antes do ensino secundário, por volta dos 12 anos. A adesão foi alta: cerca de 70% das famílias aceitaram participar.

Essa decisão conjunta resolve um dos maiores dilemas que fomentam a questão dos celulares na infância, que é a pressão social. Quando “todo mundo tem”, fica mais difícil dizer não. Mas, quando a comunidade inteira caminha na mesma direção, o argumento perde força.

Os organizadores perceberam que tentar limitar o uso de telas de forma individual tinha pouco efeito. A mudança real só aconteceu quando virou mesmo um esforço de todo, envolvendo, inclusive, lideranças locais.

Além do acordo, o movimento inclui encontros, workshops e atividades comunitárias que incentivam alternativas ao tempo de tela, como brincadeiras ao ar livre, convivência entre crianças e mais interação presencial.

O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas dar às crianças mais tempo para amadurecer antes de mergulhar no mundo digital. Conscientes de que o uso excessivo pode ser difícil de controlar, os próprios jovens da cidade relatam que preferem esperar para ter um celular.

Para especialistas, esse tipo de iniciativa reforça um ponto fundamental, que parece óbvio, mas que temos esquecido: o desenvolvimento infantil depende de experiências reais, como brincar, explorar e se relacionar, e não apenas de estímulos digitais.

O impacto de Greystones já ultrapassou as fronteiras da cidade. O modelo tem inspirado movimentos semelhantes em outros países. Você acha que daria certo na sua cidade?

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Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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