“Puberdade do dente mole”: a fase em que seu filho muda, muito antes da adolescência

Entre os 5 e 8 anos, as crianças vivem uma transição importante, que tem efeitos visíveis no corpo e no comportamento – e eles vão muito além da troca dos dentes!
Por volta dos 6 anos (às vezes, até um pouco antes), se inicia uma etapa-chave do desenvolvimento Foto: Freepik

De repente, você percebe que seu filho está perdendo os traços de bebezinho. O rosto não é mais tão redondinho e rechonchudo, o corpo estica… Isso sem falar no comportamento. A criança claramente fica mais independente, mais questionadora, em alguns casos, até um pouco mais desafiadora. Não é uma “fase difícil”, mas uma etapa esperada do desenvolvimento.

É nesse período também que algo responsável por uma mudança importante na aparência começa: a troca dos dentes de leite pelos dentes permanentes. Por isso, surgiu um termo popular para descrever o momento: “puberdade do dente mole”. Você já ouviu falar?

O nome é curioso e chama a atenção, mas também assusta. Não, essa idade não tem nada a ver com a puberdade, que acontece lá na frente, já mais próximo da adolescência. A comparação não é biológica e só é usada para representar um conjunto de mudanças impactantes pelas quais os pequenos passam.

Por volta dos 6 anos (às vezes, até um pouco antes), se inicia uma etapa-chave do desenvolvimento. Segundo a teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, é nesse período que a criança passa do pensamento mais intuitivo para formas mais organizadas de raciocínio, começando a compreender regras, consequências e o ponto de vista do outro. Isso amplia a capacidade de argumentar e questionar.

Aí, já viu… A criança quer fazer tudo sozinha, contesta ordens, negocia mais. Ao mesmo tempo, ainda está aprendendo a lidar com emoções complexas, o que explica as oscilações entre autonomia e frustração.

Esse comportamento não é isolado. Ele acompanha mudanças importantes no cérebro. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, crianças entre 6 e 8 anos passam por avanços significativos em habilidades sociais, emocionais e cognitivas, incluindo maior independência, desenvolvimento de amizades mais estáveis e melhor capacidade de resolver problemas, ainda que, como você já sabe, elas nem sempre consigam regular completamente suas emoções.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria também descreve essa faixa etária como um período de consolidação da autonomia, em que a criança começa a construir autoestima, senso de responsabilidade e identidade social.

É nesse mesmo momento que o corpo dá seus próprios sinais de mudança. A troca dos dentes de leite pelos permanentes costuma começar por volta dos 6 ou 7 anos e pode se estender até os 12. Os primeiros dentes a cair geralmente são os incisivos, enquanto os primeiros molares permanentes podem surgir sem que nenhum dente caia antes.

Mas além da questão odontológica, esse processo tem impacto simbólico. A troca dos dentes marca uma transição importante na infância e muitas crianças associam isso ao crescimento, o que pode influenciar o comportamento e a forma como se percebem.

Do ponto de vista emocional, essa percepção de crescimento (“olha, como já sou grande, já não tenho mais dentes de leite!”) pode vir acompanhada de uma busca maior por autonomia, mas também de inseguranças. A criança já não se vê como pequena, mas ainda não tem maturidade para lidar com tudo o que sente.

É justamente aí que está o motivo dessa combinação explosiva ter ganhado o apelido de “mini adolescência” ou “puberdade do dente mole”. As mudanças hormonais da puberdade começam bem mais tarde, geralmente a partir dos 8 anos nas meninas e 9 nos meninos. Mas o movimento de transição, de certa forma, já começou. Sim, seu filho está crescendo.

Entender que a criança não está “difícil”, mas está mudando e se desenvolvendo, ajuda a alinhar as expectativas. Por isso, é tão importante oferecer espaço para autonomia, com limites claros e previsíveis. Isso é muito mais eficaz do que tentar controlar cada comportamento. E menos estressante também! Ah, outro detalhe que vale ter sempre em mente: mesmo que a criança esteja mais autônoma em vários pontos, lembre-se de que a maturidade dela ainda está em construção.

Tem dúvidas sobre este assunto? Já acrescenta a Caru nos seus contatos agora (11) 95213-8516 ou CLICA AQUI e fala “oi” para a Caru

Aviso de conteúdo

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.

Veja Também