Artigos
Instituto condena orientações de manual sobre publicidade infantil
No último dia 27, o programa Criança e Consumo, criado pelo Instituto Alana para debater ideias sobre a publicidade infantil, enviou carta à Associação Brasileira de Anunciantes (ABA). O intuito da carta é questionar o conteúdo do manual recentemente lançado pela ABA, “Marketing Responsável – Garantias e Limites da Publicidade Infantil: A ABA em prol da Publicidade Responsável”.
Segundo o programa Criança e Consumo, o manual tem “erros conceituais sobre publicidade infantil, interpretações enviesadas da lei, equívocos graves do ponto de vista ético”. O programa também aponta que o manual ignora “completamente a ilegalidade da prática de publicidade direcionada ao público abaixo de 12 anos de idade”.
“É inadmissível que a Associação Brasileira de Anunciantes venha a público disponibilizar um manual que orienta seus associados a descumprirem a legislação brasileira vigente, que já proíbe a publicidade direcionada ao público infantil”, diz Livia Cattaruzzi, advogada do Criança e Consumo.
Leia também – Dar atenção às crianças durante pandemia pode evitar problemas de saúde no futuro
O Criança e Consumo aponta outros equívocos do manual da ABA:
- Negação da relação de causalidade entre publicidade infantil e consumismo, obesidade infantil e consumo excessivo de produtos industrializados (mesmo que estudos apontem a existência da relação de causalidade);
- Classificação errônea de duas práticas abusivas de publicidade infantil (publicidade em escolas e oferta de brindes) como “polêmicas desnecessárias”;
- Defesa da autorregulamentação como suficiente para coibir abusos, desconsiderando as limitações quanto ao seu alcance e efetividade;
- Criação de falsa oposição entre a proibição da publicidade infantil e o direito à livre manifestação de ideias.
Na carta enviada à ABA, o Criança e Consumo recomenda que a associação oriente empresas anunciantes a mudarem condutas e direcionarem sua publicidade exclusivamente aos adultos.
“Não é justo permitir que empresas falem diretamente com as crianças, promovendo os produtos e valores que lhes convêm, atravessando a autoridade familiar, e culpabilizar exclusivamente mães, pais e responsáveis pelas consequências negativas da publicidade infantil”, ressalta Cattaruzzi. “Ao contrário do que o manual prega, é fundamental que Estado, empresas e toda a sociedade assumam o dever constitucional de garantir os direitos das crianças com absoluta prioridade”, acrescenta a advogada.
Associação Brasileira de Anunciantes se posiciona sobre críticas a seu manual de publicidade infantil
Por meio de nota, a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) informou que “foi surpreendida pela correspondência do Instituto Alana que, de forma autoritária, ‘requer que a entidade reformule o manual’ e ‘publique nota ao mercado’, uma vez que seu conteúdo não observaria a legislação brasileira, a qual já ‘proibiria toda e qualquer publicidade dirigida às crianças'”.
A associação declara que rechaça inteiramente as acusações do instituto e que, em relação à publicidade infantil, se posiciona a partir de seis pilares: defesa da liberdade de expressão e escolha, defesa de um desenvolvimento sustentável e da publicidade responsável, apoio à autorregulamentação, repúdio à publicidade enganosa, reprovação de qualquer banimento na publicidade (inclusive da publicidade infantil) e crença na educação ao consumo e no papel da família na orientação às crianças.
A ABA ainda afirma que “inexiste no ordenamento brasileiro uma proibição à publicidade infantil”. Para Sandra Martinelli, presidente-executiva da ABA, proteção é diferente de isolamento. “A proteção da infância é um valor social que deve ser respeitado também nas relações de mercado e consumo, mas a criança não deve ser inserida em uma ‘bolha’, alheia a tudo e todos. Proteger não é isolar; mas cuidar, acompanhar e vigiar para que desvios não sejam praticados”, diz ela.
A associação também esclarece que “não defende a intromissão das empresas no ambiente escolar”, “não diminui a importância do problema da obesidade no mundo” e “não fomenta o uso indiscriminado de brindes para o público infantil”.
Leia a carta do Criança e Consumo à ABA na íntegra.
Leia a nota de posicionamento da ABA na íntegra.
Quer receber mais conteúdos como esse? Clique aqui para assinar a nossa newsletter. É grátis!
Heloisa Scognamiglio
Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Sushi pesa mais no orçamento do que fralda?
Hot roll, temaki e sushi têm caído no gosto das crianças mais cedo e, para algumas famílias, a moda gastronômica...
Dia do Leitor: 5 atitudes simples que estimulam as crianças a gostarem de ler
“A leitura cria um território de encontro e delicadeza, onde palavra, escuta e afeto caminham juntas, e onde o pensamento...
“Pode nadar depois de comer?” O que os pais realmente precisam saber
Todo mundo já precisou esperar, ansioso, por horas depois do almoço para voltar a brincar na água. Será que precisa...
Férias sem telas: 4 ideias simples para crianças se divertirem de verdade
O recesso escolar é um momento desafiador para os pais que continuam trabalhando. Apelar para as telas se torna uma...







Um comentário para “Instituto condena orientações de manual sobre publicidade infantil”
Criança não pode ser exposta a propaganda pois é um ser muito influenciável e pode virar um adulto consumista, mas pode ser exposta a toda agenda lgbt. Faz todo sentido.