Porque você deveria esperar 5 segundos antes de dar uma bronca no seu filho (a ciência explica)

Quando a criança dá uma resposta atravessada, os adultos interpretam como malcriação ou falta de respeito. Mas, muitas vezes, é só o cérebro infantil em modo defesa. A forma como você reage nos primeiros cinco segundos pode acalmar a tempestade emocional
Segundo a neurociência, 5 segundos são capazes de mudar tudo
Foto: Freepik
Segundo a neurociência, 5 segundos são capazes de mudar tudo Foto: Freepik

Uma das partes mais difíceis de ser mãe ou pai é angariar a paciência necessária para não explodir, em situações caóticas e desafiadoras. Sabe quando você já está no limite do estresse e seu filho faz uma birra daquelas, no meio de um local público, dá uma resposta atravessada ou parece agir especialmente para te provocar? O grito chega até a garganta e é preciso usar todas as nossas forças para lembrar da disciplina positiva e que não se resolve nada na violência. Além do mais, depois que tudo passa, somos nós que nos sentimos culpados, arrependidos pelo nosso descontrole. Reconheceu a cena? Respire. Acontece nas melhores casas, com as mães mais amorosas. A gente só precisa lembrar que, na imensa maioria das vezes, o comportamento da criança não é desobediência e tampouco manipulação. É emoção demais para um cérebro ainda imaturo.

Quando a criança grita, bate o pé, responde ou se recusa a cooperar, a parte emocional do cérebro assume o controle. É como se um alarme interno disparasse. Nessa hora, ela não quer te desafiar; está tentando se proteger do que sente: frustração, vergonha, cansaço, fome, ciúme, sobrecarga.

E aí vem a parte difícil de ser o adulto da relação: se a gente reage no impulso, a tempestade só cresce. Mas, segundo a neurociência, 5 segundos são capazes de mudar tudo. Será?

Pode parecer simples demais, mas fazer uma pausa de cinco segundos antes de responder faz diferença de verdade.

Imagine que seu filho grita porque não quer desligar a TV ou o celular. Em vez de responder no impulso, você respira, conta até cinco e diz: “Eu sei que você queria continuar assistindo. É difícil parar. Agora é hora de desligar”. Ou, então, você pede para ele guardar os brinquedos e ele se recusa e responde atravessado. De novo, você espera cinco segundos – tempo suficiente para reorganizar a sua reação – e consegue dizer: “Você parece irritado. Vamos resolver isso juntos”, em vez de responder no mesmo tom, o que escalaria a situação para algo mais intenso, que terminaria em choro e mais brigas.

Esses cinco segundos ajudam a parte responsável pelo controle das emoções no cérebro da criança a “baixar o volume do alarme interno”, deixando-a menos defensiva e mais aberta a ouvir. Você também consegue regular a sua emoção, o tom de voz e o que vai dizer, de forma mais racional, em vez de ser guiado apenas pelo primeiro impulso.

Dar nome ao sentimento acalma mais do que mandar parar

Outra estratégia que pode parecer boba, mas é muito poderosa é nomear o que seu filho está sentindo. É claro que isso não quer dizer que você vai concordar e aceitar qualquer comportamento dele. Seu papel continua sendo o de orientar e oferecer limites firmes. A questão é que fazer isso, reconhecendo a emoção que está por trás daquela ação, torna o processo mais suave. Você pode adotar respostas como:

  • “Você está bravo porque queria mais tempo.”
  • “Parece que isso te deixou frustrado.”
  • “Você ficou triste porque não era o que esperava.”

Quando fazemos isso, ajudamos a criança a organizar o que sente. É como colocar legenda em um sentimento confuso. Aos poucos, seu filho aprende a dizer “estou bravo” em vez de gritar, ou “estou triste” em vez de bater. É um treino emocional, que começa em casa.

Depois de acolher o sentimento, vem o limite. E ele pode ser firme sem ser agressivo.

Por exemplo:

  • “Eu entendo que você está nervoso, mas não pode bater.”
  • “Você pode ficar bravo, mas não pode falar assim comigo.”
  • “Eu sei que você quer, mas agora não é possível.”

Isso ensina duas coisas ao mesmo tempo: seus sentimentos importam e nem todo comportamento é permitido. A criança aprende que não precisa ter medo ou vergonha, que pode errar, mas que pode usar isso para aprender e melhorar.

Quando você se regula, ensina o cérebro do seu filho

O cérebro da criança ainda está em construção. A parte responsável por autocontrole, empatia e tomada de decisões amadurece com o tempo e com o exemplo. Cada vez que você respira em vez de gritar, explica em vez de humilhar e acolhe em vez de ameaçar, você ensina o cérebro do seu filho a fazer o mesmo no futuro.

Parecem respostas pequenas e até difíceis de assimilar, na hora do nervoso, mas, acredite: é uma questão de prática. Tente fazer uma pausa, use um tom mais calmo, escolha uma frase mais gentil. Isso é capaz de mudar o clima, reduzir brigas e construir segurança emocional, algo que vai fazer toda a diferença na vida do seu filho – a curto e a longo prazo.

A criança aprende cedo que pode errar sem precisar ser constrangida, que pode sentir raiva sem perder o amor e que que pode sentir as emoções e usar as ferramentas necessárias para se acalmar, com o tempo, sem ser punida. O resultado é que, aos poucos, ela passa a se expressar melhor não por medo, mas por aprendizado.

No fim, educar não é ganhar uma discussão nem “impor respeito” na marra. É ajudar um cérebro imaturo a crescer; transformar momentos difíceis em oportunidades de aprendizado; mostrar que amor e limite podem caminhar juntos. E tudo pode começar com 5 segundos.

Fontes:  Lieberman et al. (2007). Putting feelings into words: Affect labeling disrupts amygdala activity in response to affective stimuli. Psychological Science; Goleman, D. (1995). Emotional Intelligence.

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