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Perda auditiva: a proteção começa na infância
O ser humano nasce com o sentido da audição perfeitamente desenvolvido. Já no terceiro mês após a fecundação, ainda dentro da barriga, o bebê já escuta os batimentos cardíacos da mãe, sua voz e alguns barulhos externos.
A triagem auditiva neonatal, ou teste da orelhinha, é um exame obrigatório, assegurado por lei, realizado após as primeiras 48 horas de vida, para detectar alterações congênitas que levam à perda auditiva. Se constatadas essas alterações, o diagnóstico precoce permite o tratamento adequado e evita atrasos no desenvolvimento infantil, visto que a audição é fundamental no processo de aprendizagem da fala.
Segundo o Censo de 2010, mais de 9,7 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva. Desses, 2,3 milhões apresentam surdez de grau severo. Entre os jovens até 19 anos, esse problema afeta cerca de 1 milhão de pessoas.
Existem diversas causas de perda auditiva na infância, como infecções (otites) de repetição, meningite e traumas. No entanto, pouco se fala sobre proteger a audição contra os prejuízos da exposição constante a ruídos intensos.
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A exposição a ruído ocupacional é um risco para perda auditiva e é um tema bastante estudado e submetido a legislação já consolidada. Mas, e o barulho do dia-a-dia e dos momentos de lazer?
Música no fone de ouvido, videogames, shows ao vivo – as famosas lives – em redes sociais, o desenho na televisão, o jogo de futebol… Já parou para prestar atenção no tempo que a sua família passa exposta a grandes quantidades de som?
Para dar uma ideia da quantidade de som a qual estamos expostos, uma conversa normal representa em torno de 60dB (decibéis – medida de som) e sons acima de 85dB já são incômodos aos nossos ouvidos. No entanto, não é incomum ver nossos adolescentes pela casa com seus fones de ouvido em alto volume.
A recomendação geral é que a exposição seja de no máximo a 75dB – medida que tem a capacidade de praticamente eliminar o risco de perda auditiva em 40 anos de exposição.
Pode ser difícil controlar o barulho no momento da diversão, momentos em que, às vezes, o barulho faz parte da diversão. Mas já existem até alguns aplicativos para smartphones que medem o ruído do ambiente e certamente podem ajudar a evitar que os ouvidos das crianças e adolescentes sejam prejudicados por quantidades de som indesejáveis.
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Além disso, outras recomendações importantes a serem seguidas são: preferir fones de ouvido em formato de concha e sempre em volume que uma pessoa ao lado não possa escutar, atentar para as certificações dos brinquedos das crianças e sempre procurar pelo selo do Inmetro, deixar o volume do som dos aparelhos eletrônicos a uma altura que as pessoas possam conversar tranquilamente sem gritar e, em situações sociais, preferir locais longe das caixas de som. Se necessário, protetores auriculares podem ser utilizados de maneira a evitar que o som alto cause dano.
É importante salientar que a perda auditiva na infância pode e deve ser prevenida tomando-se os cuidados devidos no dia a dia. Nosso objetivo como pais e cuidadores é educar as crianças e adolescentes sobre a importância de proteger o sentido da audição para poder aproveitá-lo plenamente até o fim da vida.
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Talita Lodi Holtel
Talita Lode Holtel é mãe de Paola e Helena. Pediatra e hebiatra formada pela Unifesp, é especialista em gestão em saúde e coordenadora do Pronto Atendimento Infantil e da Unidade de Internação Pediátrica do Hospital Sepaco (SP), além de Supervisora do Programa de Residência Médica.
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