Pensando em engravidar em 2026? Vale olhar com atenção para o prato

Se você pretende ter um bebê, provavelmente, já sabe que cuidar da sua saúde é importante. Comer melhor ajuda tanto na concepção natural quanto nos tratamentos de reprodução assistida
Bons hábitos de vida são altamente importantes para aumentar as chances de gravidez
Foto: Freepik
Bons hábitos de vida são altamente importantes para aumentar as chances de gravidez Foto: Freepik

O ano novo chegou com a vontade e a resolução de aumentar a família? Cuidar da alimentação é importante para todos, mas, se engravidar está nos seus planos, é preciso reforçar ainda mais a atenção ao que coloca no prato. Embora não exista uma dieta milagrosa que resolva todos os problemas de fertilidade, os estudos são claros ao apontar alguns padrões que podem causar impactos significativos. “Sabemos que bons hábitos de vida são altamente importantes para aumentar as chances de gravidez, mesmo quando indicamos técnicas de reprodução assistida. E, nesse contexto, a dieta é fundamental”, explica o ginecologista e especialista em reprodução humana Rodrigo Rosa, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Segundo o médico, as dietas associadas a melhores resultados têm vários pontos em comum: muitos vegetais e frutas no cardápio, prioridade para proteínas magras, consumo equilibrado de carne vermelha e troca de alimentos refinados por grãos integrais. Esse combo garante macro e micronutrientes importantes e ainda oferece ação antioxidante, ajudando o sistema reprodutor a funcionar melhor.

Melhores estratégias

Um dos exemplos mais estudados é a dieta mediterrânea, rica em frutas, vegetais, peixes, nozes e gorduras saudáveis, e com baixo consumo de carnes e gorduras ruins. “A adesão à dieta mediterrânea foi positivamente associada a melhores resultados de gravidez, tanto na concepção natural quanto em técnicas de reprodução assistida”, aponta Rosa.

Outro padrão alimentar que aparece bem nos estudos são as Diretrizes Dietéticas Holandesas, que estimulam o consumo de vegetais, frutas, peixes, carnes magras em quantidades equilibradas, grãos integrais e boas gorduras. O resultado? “Os estudos mostraram um aumento de até 65% nas chances ajustadas de gravidez clínica”, diz o médico.

O que atrapalha (e muito)

Do outro lado da balança está a chamada dieta ocidental, marcada por excesso de alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas, carboidratos refinados e pouca fruta, legume e fibra. “Esse padrão alimentar está associado a uma redução de até 70% nas taxas de gravidez clínica”, alerta o especialista.

Além disso, esse tipo de alimentação favorece a inflamação do organismo, o que impacta diretamente não apenas a fertilidade feminina, como a masculina. “A inflamação pode diminuir a qualidade do sêmen, bagunçar o ciclo menstrual, dificultar a implantação do embrião e causar outras alterações reprodutivas”, explica.

E os suplementos?

Eles podem ajudar, sim, mas Rosa reforça que nunca devem ser consumidos por conta própria. Ele lembra que cerca de 40% das mulheres não conseguem metabolizar o ácido fólico da forma tradicional, por alterações genéticas relacionadas à enzima MTHFR. Mesmo assim, tomar só metilfolato não resolve tudo. “Essa via metabólica é complexa e envolve outras vitaminas do complexo B. A suplementação precisa ser avaliada caso a caso”, diz.

Segundo o especialista, a suplementação ideal envolve vitaminas, minerais, aminoácidos e ácidos graxos essenciais, sempre de forma individualizada. Um detalhe importante: vitaminas hidrossolúveis (como as do complexo B e a vitamina C) são melhor absorvidas em jejum, enquanto as lipossolúveis (A, D, E e K) devem ser tomadas junto às refeições.

Mas ele reforça que nenhum suplemento substitui uma alimentação equilibrada. “A melhor forma de potencializar suas chances de engravidar continua sendo cuidar do que vai ao prato todos os dias”, completa.

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