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Paraísos Perdidos
São Pedro é o guardião do paraíso. Não dos pequenos paraísos que Minas Gerais possui. Esses são nossos, recantos que encantam. Quase intocados, quase desconhecidos.

Um dos pequenos paraísos mineiros fica a menos de 300 quilômetros de Belo Horizonte, à margem da MG-050, no município de Capitólio. Chama-se TRILHA DO SOL. É um cânion escavado e polido pelas eras glaciais e pela água límpida, com uma sequência de cachoeiras das quais se salta dentro de poços de cor esmeralda. As crianças se divertem com a aventura aquática. É óbvio que devem saber nadar. Ou, se for o caso, apelar para um salva-vidas de boa qualidade. No mais, basta deixar-se levar pela correnteza, dar adeus ao calor do verão, brincar com as centenas de peixes curiosos que acompanham a garotada rio abaixo, e surpreender- se com o exotismo das plantas e rochas. Enquanto mergulha nas piscinas, a meninada também mergulha na história da Terra.
Um pouco mais à frente pela MG-050, junto à Represa de Furnas, fica outro cânion, mais largo, que merece o nome: PARAÍSO PERDIDO. Em seus paredões também se podem observar a força e o trabalho do gelo e da água durante milhões de anos. Em alguns lugares o arenito ficou tão liso que é usado como escorregador, desembocando em poções transparentes. Quem se aventurar mais acima pelo riacho poderá eventualmente encontrar um lustroso tamanduá-bandeira ou um arisco lobo-guará.

As opções na região não param aí. Há uma bela caminhada até a CACHOEIRA DO RIO TURVO, para crianças maiores de 10 anos. Com sorte, pode-se ver no trajeto o pato-mergulhão, uma das mais raras espécies do mundo, com menos de 250 exemplares sobreviventes no Brasil e na Tailândia, facilmente reconhecido pelo penacho na cabeça. O pato-mergulhão faz ninho no Rio Turvo e é um grande indicador da pureza do hábitat. Para quem gosta de passeio de barco, da ponte do Rio Turvo sai uma chalana em direção às cachoeiras próximas à barragem. Elas despencam do alto de um anfiteatro de rocha sedimentar sobre uma piscina que refresca até a alma. A transparência da água permite ver os mergulhadores no fundo. Ali perto também fica o Parque Nacional da Serra da Canastra, com a nascente do Rio São Francisco e a Cachoeira Casca d’Anta, uma das maiores do Brasil.
Há várias pousadas na região, inclusive na Trilha do Sol, no Paraíso Perdido e no Rio Turvo, com restaurantes. São simples e, em geral, funcionam nos fins de semana e feriados prolongados. Convém se informar antes de partir. Sim, as crianças são bem-vindas.
Esses paraísos são para poucos, quase desconhecidos do grande público. Talvez seja melhor assim. Ficam mais preservados. Mas você poderá visitá-los, respeitando-os, com uma vantagem: você vai e volta. São Pedro, como disse, não aparece por lá. O paraíso dele é outro.

LUÍS GIFFONI
é cronista, romancista e palestrante. Autor de 26 livros, tem nas viagens uma de suas paixões. Nelas aprende a diversidade do mundo e das pessoas, experiência que acaba traduzindo em suas obras. Neste espaço, dá dicas sobre como aproveitar o mundo com os pequenos.
Contato: giffoni@cangurubh.com.br
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