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Mês da mulher: a gente até aceita o chocolatinho para acompanhar, mas queremos (e precisamos!) de muito mais do que isso
Ontem foi o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, empresas, escolas e até alguns maridos distribuem flores, chocolates e mensagens de carinho. O gesto pode até ser bem-intencionado — e muitas mulheres realmente aceitam o chocolatinho e as rosas. Mas, por trás da data, que veio da luta e da resistência, existe um lembrete muito mais profundo: ainda há um longo caminho para que mulheres e meninas vivam com igualdade, segurança e liberdade.
Queremos, na verdade, um dia em que a gente não acorde com mais medo ao ler as notícias e saber que uma de nós foi atropelada, arrastada, abusada ou que perdeu a vida e/ou os filhos para a violência masculina.
Para nós, mães o debate é urgente, porque o que está em jogo não é apenas o presente, mas o mundo que estamos construindo para as próximas gerações. Queremos criar meninas que cresçam em paz, sem precisar aprender desde cedo estratégias de defesa, sem ouvir que devem se comportar de determinada forma ou se vestir de determinada maneira para evitar violência ou julgamento. Queremos que elas possam simplesmente viver: estudar, escolher suas roupas, ocupar espaços, expressar opiniões e construir seus caminhos com autonomia.
Isso significa garantir que meninas sejam educadas para a liberdade, não para o medo. Que possam sonhar com qualquer profissão, decidir se querem ou não se casar, se querem ou não ser mães, e quando isso fará sentido para suas vidas. Significa querer que elas possam terminar um relacionamento sem temer pela própria vida, uma realidade ainda distante em um país onde a violência contra a mulher permanece alarmante.
Construir esse futuro passa, é claro, pela forma como criamos os meninos.
Não basta dizer que eles não devem ser machistas. É preciso educá-los para que se tornem homens emocionalmente saudáveis, responsáveis e conscientes. Homens que saibam expressar sentimentos sem violência, que entendam o valor da empatia e que aprendam desde cedo que respeito não é opcional.
Meninos também precisam ser incentivados a se posicionar: não apenas evitar discursos machistas, mas questioná-los e confrontá-los quando aparecem. seja em conversas entre amigos ou em conteúdos que circulam nas redes sociais.
Nos últimos anos, famílias e especialistas têm demonstrado preocupação com a disseminação de conteúdo que reforça a misoginia e os discursos de ódio, incluindo comunidades conhecidas como “redpill”, que promovem visões distorcidas e hostis sobre mulheres e relacionamentos. Esse fenômeno escancara outro debate urgente: a necessidade de regulação das plataformas digitais e responsabilização por conteúdos que incentivam violência ou discriminação.
Proteger crianças e adolescentes nesse ambiente digital não significa censura, mas garantir que existam limites claros para discursos que colocam em risco a convivência social e a segurança das mulheres.
Dentro de casa, é preciso avançar em algo aparentemente simples, mas que ainda está longe de ser realidade para muitas famílias: a divisão justa das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos.
Quando o peso do cuidado recai quase totalmente sobre as mulheres, suas oportunidades profissionais, sua saúde mental e seu tempo pessoal são diretamente afetados. Equidade não é “ajuda”; é responsabilidade compartilhada. E as crianças observam tudo isso. Ao verem mães sobrecarregadas e pais pouco envolvidos, elas aprendem que esse é o padrão esperado.
Por outro lado, quando os adultos constroem relações mais equilibradas, as crianças crescem entendendo que cuidar da casa, dos filhos e das relações é um compromisso coletivo.
No fundo, o que muitas mulheres desejam não é algo extraordinário. É viver sem medo e poder construir a própria história sem que essa autonomia seja vista como provocação ou ameaça.
Aceitamos o chocolatinho, sim. Mas o que queremos de verdade é um mundo em que nossas filhas cresçam livres e nossos filhos cresçam preparados para construir, ao lado delas, uma sociedade mais justa.
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
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