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Dois livros sobre poder e axé
Durante muito tempo, a herança cultural africana foi um tema ignorado ou pouco destacado na literatura infantil brasileira. Hoje em dia, porém, um passeio pelas livrarias, bibliotecas e eventos literários mostra um quadro diferente: temos uma quantidade e uma variedade cada vez maior de livros sobre representatividade negra. Destaco dois deles, na coluna deste mês.
Em O mundo no black Power de Tayó, a autora Kiusam de Oliveira nos apresenta aos poucos, e poeticamente, sua protagonista: uma menina linda e alegre. Seus olhos são como a noite estrelada, o nariz, uma pepita de ouro, e o lindo cabelo black power ganha enfeitas de flores, borboletas e tiaras. É de se espantar que alguém não perceba a beleza da garota, mas, como vivemos em uma sociedade cheia de preconceito, Tayó vai topar com colegas que tentam convencê-la de que seu cabelo é feio. Felizmente, a garota tem muito orgulho e confiança eu seu cabelo capaz de carregar o mundo. A produção caprichada, com capa dura e papel de qualidade valoriza as formas e cores marcantes da ilustradora Taisa Borges.
O segundo livro é Nós de Axé, de Janaína de Figueiredo e Paulica Santos. O título traz o duplo sentido do “nós” como um grupo de pessoas, mas também como o plural de “nó”. Afinal de contas, uma fitinha do Senhor do Bonfim – e seus vários nós e desejos – é o elemento central da história. A protagonista, aqui, também é uma menina negra, que consegue salvar da ventania uma fitinha azul clara, e logo a amarra no pulso. Para cada nó, um desejo. O tempo passa e a magia das fitas cumpre o papel de lhe fazer companhia e trazer a sorte. Até que um dia a fita se rompe. E agora, o que a menina vai fazer?
Ficha Técnica:
O mundo no black Power de Tayó
Texto de Kiusam de Oliveira e ilustrações de Taisa Borges. Ed. Peirópolis, 2013.
Ficha técnica:
Nós de Axé
Texto de Janaína de Figueiredo, imagens de Paulica Santos. Editora Aletria, 2018.
Sobre os autores:
Kiusam de Oliveira é escritora, arte-educadora, bailarina e contadora de histórias. Taisa Borges é artista plástica, ilustradora e quadrinista.
Janaína de Figueiredo é escritora, professora e antropóloga. Paulica Santos é designer e ilustradora.
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Leo Cunha
O escritor Leo Cunha publicou mais de 70 livros, como "Um dia, um rio" (Ed. Pulo do Gato), "O que é preciso pra ser rei?" (Ed. Pequena Zahar), “Infinitos” (Ed. Melhoramentos) e "A grande convenção dos sapos" (Ed. Globo). Sua obra recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Jabuti, Nestlé, FNLIJ, Biblioteca Nacional e João-de-Barro. É também jornalista, tradutor e professor universitário.
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