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História de Mãe: ‘O dia em que achei que tinham roubado meu filho no parque’
Por Letícia Telles
Escolhi o Parque das Mangabeiras para fazer um piquenique com meus filhos, porque eles ainda não o conheciam e havia variedade de atividades. Meu erro? O parque é grande demais, havia muita oferta de atenção e dois filhos para olhar.
Vinicius, com 8 anos e autonomia para brincar mais longe, exerce seu direito adquirido, por ser um menino superobediente e consciente do “controle educacional dos pais”. Ele se “apresenta” a nós de cinco em cinco minutos. Toma um suco, uma água, pega um pirulito para o amigo, volta para comer alguma coisa. E some.
Eu, tranquila, cuidando do outro filho, bebê de 1 ano, arrumo as coisas para ir embora. Tudo pronto e cadê o Vinicius? Procura daqui, sobe de lá, grita daqui, pergunta acolá… CADÊ O VINÍCIUS?
15 minutos depois, a área de brinquedos completamente explorada, e nada. Começo a gritar aos quatro cantos. VINIIIIICIUUUUUSSSSSS! Apenas eco. Que vazio!!!!
30 min depois, a única certeza que eu tenho: ROUBARAM MEU FILHO! Acionamos a segurança do parque, avisamos a todos que passam pela gente e os rádios mobilizam um batalhão.
Todo mundo me pergunta: “Como ele estava vestido? Como ele era?” (Era???? Isso me dói demais!) Começa a procura oficial: aciona Guarda Municipal, abre B.O., liga para o Corpo de Bombeiros para buscar na mata, 190 para registro de ocorrência…
Corro pra cima e pra baixo aos berros, acreditando que EU iria encontrar.
Meu amigo que corria junto comigo para e diz sutilmente: “Vou voltar naquela trilha, muito estranho aquele homem sair sozinho de lá.” Pronto, meu suposto controle desaba. Vem o desespero: ALGUÉM ESTÁ MACHUCANDO MEU FILHO!!!! ESTUPRARAM MEU FILHO!!!! Ligo para meu marido, pois naquele momento já não suportava mais aquilo sem ele. Falo “alô” e desabo. Não se mensura a dor de uma mãe!
São duas horas de angústia.
De repente, como um parto, alguém grita no rádio: ACHAMOS O MENINO!!!!
Chegamos lá: desço com o carro andando, atravesso a rua e caio aos pés dele. Ajoelho e agarro sua cintura e choro. Choro muito, choro ao ganhar um filho. Meu filho de novo!
Um casal, que nunca vi na vida, tinha convidado meu filho para passear pelo parque. Ao me verem, dizem, tranquilamente, que tinham perguntado ao Vinícius se ele pediu autorização para mim. Estavam em uma cachoeira a 3 km de distancia de onde estávamos brincando.
Depois disto, não lembro de mais nada, estou anestesiada até hoje.
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