Artigos
Dicas para pais que recém se descobrem ‘raros’
O dia 29 de fevereiro é raro. Ele só acontece a cada quatro anos e por isso, o último dia de fevereiro – que em 2023 é o dia 28 – foi a data escolhida para ser o Dia Mundial das Doenças Raras. Criado em 2008, com intuito de sensibilizar governantes, profissionais de saúde e população sobre a existência e os cuidados que precisamos ter com relação a essas doenças, aq data tem o objetivo de levar conhecimento e buscar apoio aos pacientes, além do incentivo às pesquisas para melhorar os tratamentos.
Considera-se doença rara aquela que afeta até 65 pessoas em cada grupo de 100.000 indivíduos. Estima-se que existam entre 6.000 a 8.000 tipos diferentes de doenças raras em todo o mundo. Elas são caracterizadas por uma diversidade de sinais e sintomas.
Geralmente, as doenças raras são crônicas, progressivas e incapacitantes, afetando a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Algumas podendo levar até à morte. O diagnóstico quase sempre é difícil. Além disso, muitas delas não têm cura, de modo que o tratamento consiste em acompanhamento clínico, fisioterápico, fonoaudiológico e psicoterápico, permitindo assim aliviar os sintomas ou retardar a progressão da doença.
Minha filha recebeu o diagnóstico de Charcot Marrie Tooth (CMT) em março de 2015. Ela tinha 11 anos na época, e foi uma surpresa para nós descobrir que seu diagnóstico anterior estava errado e que, ao invés de paralisia cerebral, o que ela tinha era uma doença genética rara, neurodegenerativa e sem cura para a medicina.
Nenhum pai ou mãe deseja receber uma notícia como essa. E é comum que num primeiro momento, fiquem assustados, tristes e temerosos com o futuro.
Aquele filho ideal, saudável, de repente é substituído por um filho real, que nos exige muitos cuidados. A partir daí, a vida de toda família muda completamente, num processo que poder ser tão doloroso quanto belo. Aqueles que conseguem achar um sentido positivo para o que estão vivendo relatam uma transformação pessoal.
A minha sugestão para os pais ‒ recém descobertos raros ‒ é que:
- Procurem uma associação ou grupo de pessoas com a mesma doença. Saber que não estamos sozinhos, que pertencemos a um grupo e que existem outras mães e pais raros convivendo com a mesma doença pode ser confortante.
- Cuidado com o que leem na internet. Busquem informação de qualidade e bons profissionais que entendam do assunto.
- Estruture uma rede de apoio – Quem cuida, também precisa de cuidado.
- Lembre-se que seu filho não é a doença. Ele é muito mais do que um nome difícil.
- Não acredite quando o médico disser que não tem nada o que fazer. Quando se tem amor e afeto, coisas “mágicas” podem acontecer.
- Vocês merecem viver momentos que os façam lembrar que a vida continua.
- Lembre-se de respirar e abrir a janela para ver que há muita vida lá fora além do diagnostico.
Abaixo deixo o site de algumas associações de doenças raras que fazem um trabalho importante:
Convido a conhecer e ajudar.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
LEIA TAMBÉM
[mc4wp_form id=”26137″]
Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Caru: a primeira inteligência artificial criada para apoiar mães na vida real
Imagine ter uma rede de apoio disponível 24 horas por dia, direto no WhatsApp, pronta para responder às dúvidas do...
Já ouviu falar na regra 2-2-2? Dica simples pode salvar seu relacionamento
Com trabalho, filhos, compromissos e mil coisas na cabeça, se organizar para garantir um tempo de qualidade a dois é...
10 nomes de menina discretamente inspirados na Disney (e fáceis de usar no Brasil)
Como Moana e Elsa talvez fiquem muito evidentes, selecionamos opções menos óbvias, mas que têm relação com as personagens. Confira!
Co-parentalidade sem relacionamento amoroso ganha espaço: você toparia?
Aplicativos que conectam pessoas interessadas em ter filhos sem vínculo amoroso crescem e ampliam o debate sobre novos modelos de...









