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O que você faz com os dentinhos de leite das crianças quando caem?
Foi a pergunta da seguidora à Maria Dinat, mãe e fotógrafa incrível que eu sigo nas redes sociais. Perco. Não sei nem onde tá a chave do carro, imagina dentes? – Foi a resposta sincera e bem humorada.
Puxei da memória e me deu certa vergonha de contar onde os dentes de leite dos meus filhos estão. Como não posso ver uma vergonha materna que logo quero dividir com vocês, aqui estou.
Após o teatro da fada do dente, que eu confesso, sempre esqueço. E meus filhos, já espertos e cientes da minha loucura, ficam dias me alertando com antecedência para quando o dente cair, eu “avise” a fada. O presente pode ser moedas de chocolate ou qualquer outro doce disponível na padaria 24h perto de casa, porque apesar dos avisos, só lembro dessas coisas tarde da noite.
É desesperador, para meu marido, claro, que é incumbido de achar algo para colocar embaixo do travesseiro. Como um ninja muito velho e que sofre de dor na pelve, me arrasto pelo quarto, troco o dente pelo doce e fujo, sem olhar para trás. Depois disso, minha amiga, é terra de ninguém.
Pego o dente e deixo em uma caixinha que no princípio surgiu exatamente no intuito de guardar lembranças. Os filhos foram chegando, as lembranças todas se misturaram. Agora para descobrir quem é dono de cada um dos dentes de leite que estão lá, só com a ajuda de um perito criminal e um exame de arcada dentária. Mas evito o contato.
Como vou explicar um monte de dentes reunidos numa caixinha macabra? E olha que eu joguei os umbigos fora. Mas conheço gente que guarda tudo, até cabelos. Parece cena de crime. Coisa de serial Killer, guardar pedaços de corpos humanos desidratados e chamar aquilo de lembrança.
Todo mundo espera que mães sejam organizadas e lembrem-se de tudo em relação aos filhos. A realidade é que só acerto o nome dos meus filhos, na terceira tentativa e normalmente, na segunda, arrisco o nome de um dos cachorros.
Dia desses, conversando com uma amiga, comentamos nossa dificuldade em lembrar a data de nascimento das crianças. Gaguejo, começo a suar frio.
– Quando foi a copa do mundo mesmo?
– Aquele filme 2012 foi lançado em 2012 mesmo? Porque eu lembro de tê-lo visto quando estava grávida.
– Como eu vou explicar que não sei quantos anos meus filhos tem?
No final de tudo, só encaixo a frase “Eu sou a mãe mesmo. Quer ver meus documentos?”. Rezando para não dar nenhuma treta porque se tiverem um mandato e revistarem a casa toda, acharão uma caixinha cheia de dentes dos meus filhos e eu não saberei explicar de quem são.
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Sheila Trindade
Sheila Trindade é escritora e fundadora do Blog Uai Mãe. Mãe de quatro filhos, um monte de histórias para contar cheias de aventuras, dúvidas e receios. De forma autêntica e com bastante humor, quer provar que a maternidade pode ser divertida quando a gente se permite rir dos próprios erros.
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