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Cris Guerra lança livro sobre a maternidade
Com uma trajetória de sucesso no mundo da moda e da literatura, Cris Guerra lança mais um dos que ela gosta de chamar de “livro-filho”. Mãe, inspirado em uma de suas mais compartilhadas crônicas, chega às livrarias pela editora Miguilim. Com uma narrativa sensível e inspiradora, Mãe é um verdadeiro mergulho na na mágica do ofício de ser mãe, evidenciando a quase-indescritível façanha da maternidade e, mais do que isso, revelando e reforçando o laço invisível que liga mães e filhos por toda a vida.
O que dá ainda mais magia e encanto à obra é a conexão entre os desenhos de Anna Cunha e as palavras de Cris Guerra, que conversam entre si e dão ao livro toda a sua graciosidade. “Este é um livro para ler sem pressa, com tempo para sentir, e depois reler quantas vezes for preciso. Quem é mãe irá se identificar com cada palavra. E todo leitor ou leitora aprenderá a amar ainda mais estas criaturas especialistas em operar milagres, ‘fadas do beijo’, como as chama Cris, capazes de transformar o cotidiano em poesia”, afirma a jornalista e escritora Leila Ferreira, que escreveu o livro Que Ninguém nos Ouça com Cris Guerra.
A Canguru conversou com Cris sobre o livro. Confira a entrevista.
Canguru: Você tem uma conexão muito forte com a maternidade, o que pode ser notado no seu primeiro livro. A experiência de escrever Para Francisco foi uma inspiração para escrever Mãe?
Cris Guerra: A maternidade, da maneira como aconteceu comigo, me transformou. Eu brinco que o Francisco é que pariu muitas novas mulheres em mim. É impressionante como eu me multipliquei, em vários sentidos. É claro que isso também tem a ver com a perda do pai dele, aos quase 7 meses de gravidez. Eu vivi a maior dor da minha vida antes dele nascer e, depois do seu nascimento, me vi diante de sentimentos contraditórios. Eu era literalmente a mulher mais triste e mais feliz do mundo. Essa experiência ambígua e estranha também foi um grande privilégio, que me fez pensar muito em mim e não esquecer da mulher que eu era. Eu precisava me manter bonita, forte, pois não queria ser só mãe. Eu também queria ser mulher para, com o tempo, amar de novo. E, talvez por um senso de sobrevivência, fui cuidando pra equilibrar todos esses pratos da melhor maneira possível e para que nenhum aspecto fosse negligenciado. Vivi a maternidade com alegria, tristeza, solidão, força, fraqueza, beleza, sensualidade, emoção, lágrimas, sentimento de abandono e de acolhimento. Acho que isso me permitiu ser muito humana e no meio dessas palavras todas a culpa ficou apertada, não pôde crescer pra cima de mim, como costuma fazer com a maior parte das mães. Então eu me considero uma pessoa privilegiada. No começo eu via o que aconteceu comigo como um grande revés, mas quando a gente se distancia do sofrimento e vê a coisa como um todo, enxerga a beleza dela. Escrever o Para Francisco foi primordial para que eu pudesse ver as coisas dessa forma. Não só pelo processo da escrita, que sempre é muito psicanalitico e acabou falando muito de mim para mim mesma, mas também porque me permitiu ter a sensação de devolver ao Francisco um pouco do pai dele, fazendo com que essa perda não fosse completa. O processo todo é tão bonito, que me emociona até hoje. A escrita me salvou e salvou também a minha forma de ser mãe.
Canguru: Além dessa conexão com a maternidade, você é uma grande referência no mundo da moda. Que influência que isso exerce no seu papel como mãe?
Cris Guerra: A moda é o que me permite não deixar de ser mulher enquanto sou mãe. Mas, antes disso, ela não me deixou desabar durante o luto. Isso foi muito importante. Na verdade, a moda é para mim parte desse processo todo de expressão e cuidado em que consiste também a escrita. Expressão, terapia, culto ao belo. Tudo isso me faz ver a vida de uma forma muito mais positiva. E eu tento passar isso para o Francisco, mais pelas atitudes do que pela fala. Isso é muito lindo.
Canguru: Como formadora de opinião, suas ideias são seguidas por milhares de pessoas que acompanham seu trabalho. Mãe é uma forma de passar a elas uma mensagem e um ponto de vista sobre o que é ser mãe?
Cris Guerra: Acho que sim. O livro é muito, muito autobiográfico. Foi escrito a partir de uma vivência, dos sentimentos que me envolveram e me envolvem. Eu nunca faria esse texto apenas observando uma mãe. E é engraçado, porque eu pensava que as pessoas pudessem não se identificar com ele. E ele surgiu justamente porque a identificação foi impressionante. O texto é originalmente uma crônica que escrevi na semana do dia das mães, e cuja repercussão impressionou muito. Um dia, vi o texto copiado numa página do Facebook, num post que contava com 18 mil compartilhamentos. Isso me impressionou e fiquei pensando em fazer algo mais com esse texto. Então a Mariana Guedes, designer e grande amiga, me deu a ideia de fazer um livro. Procurei a Miguilim, que é uma editora muito cuidadosa em tudo o que faz, e pensamos imediatamente na Anna Cunha, que tem um trabalho primoroso. É difícil ilustrar esse texto sem ser óbvio. A Anna parece que leu a alma do texto. Impressionante. Eu queria fazer uma homenagem às mães, mas escrevi com fluência e naturalidade porque era meu coração escrevendo sem censura, mesmo. É o meu ponto de vista sobre o que diferencia uma mãe dentre as pessoas. O que a maternidade faz com a humanidade de cada mãe.
Canguru: Você está com três livros recém-lançados no mercado. Há mais projetos para um futuro próximo?
Cris Guerra: Olha que loucura, menina. Há, sim (rsrs). Esse ano ainda eu quero (e vou) publicar uma coletânea das minhas crônicas. Na minha vida costuma acontecer tudo assim: muito de tudo ao mesmo tempo.
Canguru: A festa #MãedeFolga, da Canguru, vai ser uma grande oportunidade para as mães que são fãs do seu trabalho conhecerem o Mãe e baterem um papo pessoalmente com você. O que você está planejando para as mães que estiverem lá?
Cris Guerra: Primeiro, quero aproveitar a noite com elas, porque não sou de ferro – nem elas (rsrs). Mas tem uma coisa muito especial que tô preparando, que é trazer o meu primeiro “filho-livro” pra abrilhantar essa noite. O Para Francisco foi editado em 2008 e está praticamente esgotado nas livrarias há tempos, por questões do mundo editorial, difíceis de explicar – e de entender. É um livro que mexeu muito com os leitores, escrito com o coração sangrando, no auge da dor (a dor da perda e a dor de amar tanto o Francisco, que acabava de chegar). Eu gosto da maneira como ele foi escrito e acho que é um livro que toca muito as pessoas. A boa notícia é que agora tenho um estoque do Para Francisco disponível para venda no evento. E isso pra mim é como ter esse meu filho de volta! Então teremos todos os meus quatro livros-filhos pra quem quiser adquirir – e euzinha pra autografar cada um com todo o carinho do mundo.
Canguru News
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