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São Paulo registra aumento nos casos e internações por Covid-19 entre crianças
O número de crianças internadas por Covid-19 em hospitais públicos e privados de São Paulo teve um aumento significativo em novembro, em comparação com outubro, informa reportagem do jornal Folha de São Paulo. Nos meses anteriores, não houve grandes variações, o que acende um alerta para o impacto da infecção também no público infantil.
As crianças de até dez anos representam apenas 1,43% do total de internações e 0,31% das mortes por Covid no país, ainda assim, os especialistas chamam a atenção para o fato de que eles não estão tão imunes como se imaginava.
Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, que incluem as redes pública e privada de saúde, em outubro foram registradas 18 internações de crianças de até 9 anos por Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) contra 43 em novembro.
No Sabará Hospital Infantil, por exemplo, as internações infantis por Covid quadruplicaram nesse período, passando de 3 para 12. Os diagnósticos positivos para o Sars-Cov-2 saltaram de 53 para 101, um aumento de 90%. O Hospital Samaritano também confirmou um aumento de casos e internações nessa faixa etária, embora não tenha informado os números.
“Os números revelam o que está acontecendo com os adultos. Quando se faz a investigação epidemiológica, a gente vê que as crianças estão se infectando dentro de suas casas, porque os seus pais ou outros contactantes estão adoecendo”, disse à Folha o infectologista Francisco Ivanildo Oliveira, gerente médico do Sabará.
De acordo com o médico, no geral, as crianças evoluem bem da doença, adoecem menos que os adultos e têm menor necessidade de internação. Mas, se já tiverem problemas de saúde preexistentes (comorbidades), correm mais risco de complicações.
Síndrome multissistêmica inflamatória é uma das reações graves associada ao coronavírus
Na última terça (8), a UTI do Hospital Sabará tinha cinco crianças internadas (sendo um caso confirmado de Covid e outros quatro com suspeita). Desde o início da pandemia, o hospital registrou um óbito, de uma criança que teve a síndrome multissistêmica inflamatória, reação grave associada ao coronavírus.
No caso da síndrome, porém, até crianças saudáveis podem desenvolvê-la, embora sejam quadros pouco frequentes. “A gente não sabe ainda quais os fatores de risco que estão associados a ela. É uma complicação tardia, quando ela parece já não tem mais atividade viral”, explica.
A reportagem destaca que, segundo levantamento inédito da Vital Strategies, 6.303 crianças com até dez anos foram hospitalizadas no Brasil por Srag causada pela Covid-19, entre os meses de março e outubro. Dentre essas internações, 510 crianças morreram. Nos Estados Unidos, até setembro de 2020, haviam sido reportadas 103 mortes de crianças por Covid.
A maioria das crianças brasileiras infectadas (4.752) tinha menos de cinco anos — 2.198 não haviam completado o primeiro ano de vida.
Crianças pequenas com comorbidades podem ter quadros mais graves de Covid-19
A pesquisadora senior da Vital Strategies e professora de saúde pública da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Fátima Marinho, relata que no auge da pandemia houve um aumento no número de mortes hospitalares de crianças abaixo de cinco anos, o que pode indicar uma eventual associação com a Covid.
As maiores variações, comparando com 2019, ocorreram nos meses de abril e maio de 2020 (2,9 e 3 por 10 mil, respectivamente), com mais de 80% de aumento.
“À medida que você faz pouco teste em criança, você também não identifica precocemente o caso, o que pode contribuir para um pior desfecho. A criança pode ter uma clínica diferente, por exemplo, febre e dor abdominal. É diferente do quadro respiratório clássico do adulto”, explicou a pesquisadora à Folha.
Ela destaca a necessidade de médicos e pais ficarem atentos ao impacto da Covid nesse público infantil. “A criança até dois anos interage mais e, assim, fica mais exposta. É a que está sendo mais infectada”, afirma.
Segundo a médica, dados preliminares apontam que crianças pequenas com comorbidades, como asma e diabetes tipo 1, têm maior risco de apresentar quadros mais graves da doença. “Mas temos casos graves também de crianças sem nenhuma comorbidade [caso da síndrome inflamatória multissistêmica].”
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