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Conheça os 8 sinais de transgeneridade em crianças, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria
Por Rafaela Matias – Uma cartilha da Sociedade Brasileira de Pediatria orienta pediatras sobre a disforia de gênero – condição médica que engloba quadros de ansiedade, depressão, inquietude e ostracismo social provenientes da incompatibilidade entre o sexo biológico e a identidade de gênero de uma pessoa.
De acordo com a SBP, a identidade de gênero é uma categoria da identidade social e refere-se à autoidentificação de um indivíduo como mulher ou homem ou a alguma categoria diferente do masculino ou feminino. Pessoas cujas identidades de gênero não correspondem aos sexos biológicos atribuídos ao nascimento são nomeadas como transgêneros ou transexuais. Saiba mais sobre a transgeneridade em crianças.
Como se dá o reconhecimento do gênero na infância
- As crianças entre 6 e 9 meses são capazes de diferenciar, quanto ao gênero, vozes e faces.
- Aos 12 meses, associam vozes masculinas e femininas a determinados objetos tidos como típicos de cada gênero.
- Embora mais nítido aos 2 anos, crianças de 17 a 21 meses de vida têm habilidade de se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao gênero.
- A identidade de gênero tem início entre 2 e 3 anos de idade.
- Entre 6 e 7 anos, a criança tem consciência de que seu gênero permanecerá o mesmo.
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A transgeneridade
O transexualismo, ou transgeneridade, se define pela condição em que uma pessoa se identifica como sendo do gênero oposto ao sexo refletido pelo corpo.
Na década de 1950, o sexologista neozelandês John Money foi o primeiro a propor que, além do sexo biológico atribuído ao nascimento, há uma outra face da sexualidade relacionada aos processos de aprendizagem e sociabilização, que se estabelecem entre 2 e 4 anos de idade.
Isso influenciou a concepção de identidade de gênero, que é uma construção complexa e absolutamente singular. Embora a maioria das pessoas apresente conformidade entre o sexo biológico (características genitais presentes ao nascimento) e a identidade de gênero (a experiência emocional, psíquica e social de uma pessoa enquanto feminina, masculina ou andrógina definida pela cultura de origem), em alguns indivíduos existe uma incongruência entre ambos.
Segundo a definição lançada em 2016 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a identidade de gênero se refere à experiência de gênero interna, profunda e pessoal de cada um, podendo ou não corresponder ao sexo de nascimento. A identidade de gênero existe dentro de um espectro, o que significa que compreende feminino, masculino e toda uma gama de variações e até de neutralidade entre ambos.
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O que é a disforia de gênero
O estresse, sofrimento e desconforto causados pela incongruência entre o sexo biológico e a identidade de gênero são englobados em uma condição clínica chamada de disforia de gênero.
Apesar de um notável aumento da “abertura” em relação ao tema, trazida pelo acesso à informação e a maior capacidade de diálogo entre pais e filhos, crianças e adolescentes com variação de gênero ainda são alvos de bullying, rejeição, violência física ou verbal e ostracismo social que afetam seu bem-estar psicológico e não raramente causam ansiedade e depressão.
Qual é a prevalência da disforia de gênero em crianças e adolescentes?
A prevalência de disforia de gênero não é bem conhecida devido a fatores culturais e metodológicos, mas a estimativa é de que a prevalência varie entre 1 a cada 11.900 e 1 a cada 45.000 para indivíduos masculinos que se identificam femininos; e para femininos que se identificam masculinos de 1 para 30.400 a 1 para 200.000.
De acordo com a SBP, é impossível prever quais crianças com não conformidade de gênero irão persistir com esse quadro na adolescência e vida adulta. Estudos mostram que a maioria das crianças pré-púberes (cerca de 85%) com não conformidade de gênero voltarão a ficar satisfeitas com seu sexo biológico próximo à adolescência, embora, em algumas, exista uma tendência a orientação homossexual. Já quando a condição surge na adolescência, o documento afirma que existe uma grande probabilidade dela se manter na vida adulta.
Como as crianças se manifestam sobre isso?
A criança pode expressar a certeza de ser do sexo oposto ou não estar feliz com suas características sexuais, preferindo roupas, brinquedos, jogos e brincadeiras culturalmente ligados ao outro sexo. O grau dessa inconformidade pode ser de leve a intensa, associada ou não a distúrbios de internalização como ansiedade, depressão e isolamento social.
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Veja os 8 sinais da transgeneridade em crianças:
- Forte desejo de pertencer ao outro gênero ou insistência de que um gênero é o outro (ou algum gênero alternativo)
- Em meninos, uma forte preferência por cross-dressing (travestismo) ou simulação de trajes femininos; em meninas, uma forte preferência por vestir somente roupas masculinas típicas e uma forte resistência a vestir roupas femininas típicas
- Forte preferência por papéis transgêneros em brincadeiras de faz de conta ou de fantasias
- Forte preferência por brinquedos, jogos ou atividades tipicamente usados ou preferidos por outro gênero
- Forte preferência por brincar com pares do outro gênero
- Em meninos, forte rejeição de brinquedos, jogos ou atividades tipicamente masculinas e forte evitação de brincadeiras agressivas e competitivas; em meninas, forte rejeição de brinquedos, jogos e atividades tipicamente femininas
- Forte desgosto com a própria anatomia sexual
- Desejo intenso por características sexuais primárias e/ou secundárias compatíveis com o gênero oposto (ou outra variação de gênero)
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