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Comunicação não violenta: saiba como essa abordagem pode fortalecer a relação com os filhos
Por Helen Mavichian* – No contexto desafiador da parentalidade, a comunicação não violenta (CNV) se destaca como uma ferramenta crucial, não apenas para facilitar a expressão clara de sentimentos, mas também para fortalecer os laços familiares e promover uma comunicação mais empática e respeitosa. Desenvolvida por Marshall Rosenberg, a CNV oferece uma abordagem compassiva particularmente valiosa na relação entre pais e filhos, destacando-se como uma maneira eficaz de construir alicerces sólidos em meio à prevalência de violência e caos no mundo.
A aplicação da CNV na educação dos filhos começa com uma observação atenta, que leva a uma comunicação mais consciente. Estar presente, sem julgamentos, e ser compreensivo e empático com as crianças são atitudes essenciais, uma vez que as ajudam a identificar e expressar sentimentos e emoções, contribuindo para um vínculo mais duradouro e saudável. Para tanto, é importante que os pais foquem no comportamento da criança, buscando separar os fatos das interpretações que tendemos a fazer das situações, evitando assim rótulos e críticas. Dizer, por exemplo que a criança não ajudou quando solicitada é um fato. Já dizer que ela é preguiçosa porque não ajudou é uma interpretação de um fato.
Vamos explorar outros exemplos práticos com a formulação de pedidos em vez de exigências para implementar a comunicação não violenta com os filhos:
- Ao invés de dizer: “Você nunca arruma seu quarto!”, afirme algo como: “Eu percebi que o quarto está desorganizado, com roupas no chão…”
- Ao invés de dizer: “Você sempre me deixa irritado com essa bagunça”, experimente afirmar: “Eu me sinto frustrado e chateado quando vejo o quarto todo bagunçado, pois gostaria de manter nossos espaços organizados.” Expresse a necessidade por trás do seu sentimento. Por exemplo, “Eu preciso de um ambiente mais organizado para me sentir melhor e mais relaxado na nossa casa”.
- Faça um pedido claro e específico, em vez de falar agressivamente. Por exemplo, “Você poderia me ajudar a recolher os brinquedos e guardá-los no lugar deles? Precisamos organizar!”. Isso faz com que a criança se sinta responsável por aquilo que pratica, participando da arrumação.
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A escuta ativa, demonstrando interesse genuíno, repetindo o que a criança diz para garantir compreensão e criando um ambiente de aceitação são aspectos que favorecem um ambiente colaborativo e uma comunicação eficaz. Muito mais do que uma ferramenta, a comunicação não violenta é um estilo de vida que busca promover relacionamentos saudáveis e uma compreensão mais profunda entre pais e filhos. À medida que praticamos e internalizamos esses princípios, investimos não apenas no presente, mas também no futuro emocional e relacional de nossas famílias. Claro que existem momentos que é preciso como pais ser mais incisivo e impor limites de forma clara, porém lembre-se que agressividade não ensina.
*Helen Mavichian – psicoterapeuta especializada em crianças e adolescentes e mestre em distúrbios do desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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