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Como tornar a maternidade mais divertida?
Assinei finalmente Disney Plus. Tamanha foi minha surpresa ao encontrar Hanna Montana e Feiticeiros de Rively place. Meus filhos não entenderam o entusiasmo, mas eu dava gritinhos de alegria a cada série dos millennials que achava. Não há como fingir costume ao descobrir que poderia rever Phineas e Perbs. Até hoje sei cantar a música da abertura. Vai por mim, é o melhor desenho do mundo!
Se acertei algo nestes 14 anos de maternidade foi em fazer tudo mais divertido colocando meu jeitinho, meus gostos, misturando as gerações, experimentando o novo que os meus filhos me apresentam, trazendo lá da minha infância e adolescência o que também me fazia feliz. Criam-se laços e conexões. Uma confiança mútua gostosa de compartilhar.
Ensinei a desenharem amarelinha no chão, a brincarem de adedanha, compramos jogos antigos e zeramos Mário World juntos. Enquanto eles me mostram a nova música do Imagine Dragons, eu trago Alanis Morissette e Paramore. Nos divertimos com as semelhanças, principalmente com as diferenças. E como rimos dos looks dos anos 2000, com sobreposição de vestido e calça jeans, sapatos de gosto duvidoso e uma boina para combinar com as divas da época. Assistimos High Scholl Musical e obviamente achamos estranho o fato de todo mundo criticar quem canta e dança, cantando e dançando. E vamos convir, Sharpay nunca foi a vilã. Era só alguém muito motivada e que sabia o que queria. É legal rever as coisas com os olhos da maturidade e enxergar esses detalhes, né? Levanta a mão aí quem aprendeu o que era sarcasmo com Alex Russo de Feiticeiros de Rively Place! Fez escola.
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Contei aos meus filhos como era viver desconectado da internet, que inclusive, era algo que tinha todo um ritual para “entrar” e ocupava a linha de telefone. Falei do MSN, de como os jovens passavam suas tardes nas Lan House’s jogando on line ou esperando o crush, que naquela época se chamava “paquera”, entrar no chat. Lembro da expectativa com o Disk MTV com os melhores clipes da parada musical. Minha melhor amiga e eu sempre assistíamos juntas comendo brigadeiro de panela. Para entender aquela música do The Calling, só comprando revistas que tinham letra e tradução para fingir que sabíamos cantar “Wherever you will go”.
Conto muitas histórias da escola, dos namoricos, festas que eu não ia, mas sabia de tudo o que rolava. E das festas que eu ia quando minha mãe deixava. Os barracos do grupo de teatro e a primeira vez que escrevi um roteiro para a escola cheio de piadas de duplo sentido, mas que só os jovens entendiam.
Eles me confidenciam as tretas da sua turma, se estão apaixonados, como se sentem em relação à assuntos mais sérios. Eu não sei, mas desde que comecei a contar mais da minha vida, lembrei-me de como me sentia, fiquei mais empática. E eles confiam mais no meu julgamento, sentem-se mais livres para dividir suas dúvidas e tristezas.
Todo dia é uma dica nova de como educar filhos, como se viessem com manual. Mas há um bom tempo, tenho deixado tudo de lado. É exaustivo tratar a maternidade como um experimento, os filhos como ratos de laboratório. “Deixa ver se isso aqui funciona”. E como cansa! Num vídeo, um especialista fala sobre um método X, em outro, aparece alguém dizendo que nada disso funciona. Claro, busque conhecimento, mas ninguém é mais especialista em relação aos seus filhos que você mesma. Busque o tempero que faz tudo ficar mais leve e na medida do possível, divertido.
Sheila Trindade
Sheila Trindade é escritora e fundadora do Blog Uai Mãe. Mãe de quatro filhos, um monte de histórias para contar cheias de aventuras, dúvidas e receios. De forma autêntica e com bastante humor, quer provar que a maternidade pode ser divertida quando a gente se permite rir dos próprios erros.
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