Como seu filho vê você em cada fase da infância (e por que isso importa)

Do colo ao início da vida adulta, o papel da mãe se transforma. O vínculo construído em cada fase ajuda a desenvolver segurança, autonomia, autoestima e inteligência emocional. Entenda
Mãe com filho no colo Foto: Magnific

Seu filho te enxerga de um jeito nos primeiros anos de vida. Depois, isso muda na idade pré-escolar. Conforme os anos se passam, você se torna uma mãe completamente diferente, aos olhos da criança e isso tem tudo a ver com o desenvolvimento. Enquanto nos meses iniciais, a mãe representa proteção e segurança, mais tarde, passa a ser referência para entender as emoções, construir a autoestima, enfrentar desafios e, aos poucos, conquistar independência. Saber disso é fundamental para entender qual é o seu papel em cada momento.

Embora cada criança tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento — e outras figuras de cuidado também exerçam esse papel, como pais, avós e responsáveis — estudos da Psicologia do Desenvolvimento mostram que a qualidade do vínculo influencia diferentes aspectos da saúde emocional ao longo da vida.

Confira como essa relação costuma se transformar em cada etapa do crescimento.

De 0 a 2 anos: o colo ajuda a regular as emoções

Nos primeiros anos, o cérebro do bebê ainda está aprendendo a lidar com as próprias emoções. Quando um adulto acolhe o choro, oferece colo e fala de maneira tranquila, ajuda a criança a reduzir o estresse e desenvolver sua capacidade de autorregulação. Segundo a teoria do apego, desenvolvida pelo psiquiatra John Bowlby e ampliada por décadas de pesquisas, uma relação segura com o cuidador favorece o desenvolvimento emocional e social da criança. A criança não nasce sabendo se acalmar. Ela aprende isso por meio das experiências repetidas de acolhimento.

Dos 3 aos 5 anos: dar nome aos sentimentos ensina inteligência emocional

Nessa fase, as emoções costumam ser intensas, mas a linguagem ainda está em desenvolvimento. Por isso, frases como “você ficou bravo porque a brincadeira acabou” ajudam a criança a reconhecer e compreender o que está sentindo. Estudos já demonstraram que crianças cujos sentimentos são acolhidos e nomeados tendem a desenvolver melhor regulação emocional e apresentam menor risco de dificuldades emocionais no futuro.

Dos 6 aos 9 anos: a forma como você fala vira a voz interior da criança

A autoestima começa a ganhar força durante os anos escolares. Os elogios, as críticas e o modo como os adultos corrigem erros ajudam a formar a maneira como a criança passa a falar consigo mesma. Isso não significa evitar limites. Pelo contrário: é possível corrigir comportamentos sem desvalorizar a criança.

Dos 10 aos 12 anos: confiança abre espaço para conversas difíceis

Um momento importante! É na pré-adolescência que os filhos começam a selecionar o que contam aos pais. Pesquisas mostram que adolescentes costumam procurar mais os responsáveis quando percebem que serão ouvidos antes de julgados. Escutar primeiro e orientar depois fortalece a confiança e aumenta as chances de que a criança procure ajuda diante de problemas maiores.

Dos 13 aos 16 anos: afastamento faz parte do crescimento

A adolescência costuma trazer respostas mais curtas, necessidade de privacidade e maior convivência com amigos. Mas, atenção: isso não significa falta de amor. O desafio dos pais é continuar disponíveis sem invadir o espaço do adolescente, mantendo interesse genuíno pela rotina e criando oportunidades de diálogo.

Dos 17 aos 20 anos: proteger passa a significar deixar ir

A vida adulta começa e o cuidado assume outro formato. Em vez de resolver todos os problemas, os pais precisam oferecer apoio para que os filhos façam escolhas e enfrentem as consequências delas. Desenvolver autonomia é considerado um dos pilares da transição saudável para a vida adulta.

Não existe mãe perfeita – e isso vale para todas as fases

Há décadas, o pediatra e psicanalista Donald Winnicott apresentou o conceito da “mãe suficientemente boa”: aquela que não precisa ser perfeita para criar um vínculo saudável. Errar faz parte da parentalidade, em qualquer fase dela. Embora seja importante buscar conhecimento, fazer o melhor e escutar seu filho, percebendo que muda nas necessidades dele com o passar do tempo, o que realmente fortalece a relação é demonstrar afeto, estar presente, oferecer um ambiente seguro e corrigir a rota, sempre que necessário. Sim, você vai tropeçar, vai sentir culpa, vai tomar decisões que nem sempre são as melhores…  Não há como evitar. O que faz diferença é a forma como você lida com os desvios. Aprender com eles é o primeiro passo.

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