Bilinguismo na primeira infância é vantajoso ou melhor deixar para depois?

Leia o artigo da pedagoga Jéssica Alves de Aguiar na #Canguru de outubro.

Por Jéssica Alves de Aguiar

É possível e saudável ensinar inglês aos pequenos, paralelamente ao ensino da língua portuguesa, sem gerar confusão? Muitas são as dúvidas sobre o bilinguismo na primeira infância, prática cada vez mais comum nas escolas. Alguns pais tentam poupar os filhos, e outros pensam que quanto mais cedo, melhor. O bilinguismo infantil é vantajoso? Os especialistas afirmam que sim e apontam várias razões.

Como pedagoga e psicopedagoga, afirmo que toda criança nasce com um cérebro pronto para aprender línguas, culturas e tudo a que for exposta. O aprendizado de línguas está aguçado na primeira infância, período em que a criança está descobrindo e construindo o vocabulário. Estudos comprovam que, com o passar dos anos, a capacidade de aprender outra língua vai se perdendo.

O estímulo nessa faixa etária apresenta vantagens cognitivas significativas, como melhor raciocínio, facilidade de concentração e melhor capacidade de memorização, além de benefícios incalculáveis para a comunicação da criança.

No colégio onde atuo, o método utilizado é o lúdico, ou seja, chegar o mais próximo possível de como a criança aprendeu a sua primeira língua, sutilmente, estabelecendo relações compreensíveis. Utilizam-se cantigas de roda já conhecidas na primeira língua, fazendo relações diretas com os objetos de interesse das crianças e com muitas imagens, técnica que aborda os fl ashcards. A proposta é estimular a curiosidade infantil, fazendo com que a criança internalize o aprendizado.

Os pais podem ficar tranquilos em relação ao bilinguismo. A mistura dos dois idiomas na mesma frase só revela a internalização do aprendizado, e não o esquecimento da língua materna. O bilinguismo não causa traumas nem constrangimentos quando ensinado de maneira lúdica, divertida e leve. A criança não ficará desinteressada pela sua língua materna, pois continuará sendo o idioma do coração, o que a família fala e é o primeiro que a criança aprenderá. Nada compromete esse aprendizado. 

 

Jéssica Alves de Aguiar é professora de educação infantil do Colégio ICJ.
 

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