“Bebês Mounjaro”: o efeito colateral das canetas emagrecedoras que muitas mulheres não esperavam…

Mães relatam ter engravidado com facilidade depois de começar a usar medicamentos para perder peso, como o Mounjaro. Os remédios, que estão cada vez mais famosos, podem interferir na absorção do anticoncepcional oral. Especialista explica
As canetas emagrecedoras podem anular o efeito do anticoncepcional 
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As canetas emagrecedoras podem anular o efeito do anticoncepcional Foto: Freepik

Basta digitar “bebê Mounjaro” ou mesmo “bebê Ozempic” no campo de busca das redes sociais para encontrar depoimentos de mulheres que engravidaram depois de começar a usar as canetas emagrecedoras. É frequente a experiência de pessoas que tomavam anticoncepcionais orais e, mesmo assim, foram surpreendidas com o teste positivo. Elas só queriam perder peso e acabaram conquistando uma barriga, mas em um contexto diferente…

Mas será mesmo que as canetas podem interferir na ação dos anticoncepcionais? A dúvida é legítima e a resposta não é simples. Por isso, nós, aqui do Canguru News, fomos atrás de um especialista, que pudesse explicar melhor esse efeito nada esperado. Segundo o endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e (SBEM) do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), o risco existe, sim, mas não é igual para todos os medicamentos, nem para todos os métodos contraceptivos.

“Com o Ozempic, não há evidência consistente de falha do anticoncepcional. Já com o Mounjaro, existem estudos e relatos indicando que, especialmente quando há aumento de dose, podem ocorrer casos de gravidez em mulheres que usam anticoncepcional hormonal oral”, explica o médico.

O que muda no corpo?

As chamadas canetas emagrecedoras atuam, entre outras coisas, retardando o esvaziamento gástrico. Isso significa que elas fazem com que o alimento (e os medicamentos) permaneçam por mais tempo no estômago, antes de seguir para o intestino, onde ocorre a absorção. E é aí que mora o perigo: o anticoncepcional oral depende de uma absorção adequada pelo trato gastrointestinal. Quando esse processo é alterado, a eficácia pode diminuir.

Esse efeito já foi descrito em estudos clínicos com medicamentos à base de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), levando entidades médicas internacionais, como o Food and Drug Administration, o FDA, dos Estados Unidos, a recomendarem métodos contraceptivos adicionais ou alternativos, especialmente nos períodos de início do tratamento ou de ajuste de dose.

Mas atenção: esse alerta vale apenas para anticoncepcionais hormonais orais. Outros métodos não dependem da absorção pelo sistema digestivo e, por isso, não sofrem interferência das canetas.

Entre as opções consideradas mais seguras estão:

  • Implanon (implante subdérmico)
  • DIU hormonal, como o Mirena

“Esses métodos não passam pelo trato gastrointestinal, então não há impacto da medicação sobre a eficácia contraceptiva”, explica Renato.

Quando o risco é maior?

Segundo o endocrinologista, o risco de falha não é uniforme e tende a ser maior no início do uso do Mounjaro, durante aumentos de dose e quando não há orientação médica clara sobre contracepção associada. “Por isso, a conversa com a paciente é fundamental. Muitas vezes, a mulher nem imagina que pode haver essa interação”, reforça.

E se a gravidez acontecer?

Se houver suspeita ou confirmação de gravidez, a orientação é interromper imediatamente o uso da medicação e comunicar o médico. “Esses medicamentos podem interferir na gestação, especialmente no início. A paciente precisa ser avaliada o quanto antes”, diz o médico.

Canetas emagrecedoras não são vilãs, mas é importante saber que elas não devem ser usadas sem conversa, sem escuta e sem planejamento reprodutivo.

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