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Acolher não é concordar, mas sim ouvir e aceitar o que o outro diz
Qual é a primeira coisa que vem na sua cabeça quando você lê a palavra “acolher”?
Tem muita gente que responde: dar um colo, acalmar, abraçar, passar a mão na cabeça. Parece mesmo, mas não é.
Quando pesquisamos o significado e os sinônimos de “acolher’, olha quanta coisa aparece:
Dar abrigo e proteção: amparar, refugiar, acomodar, hospedar.
Receber com cerimônia: recepcionar.
Receber com aceitação: aceitar, considerar.
Dar ouvido a: atentar, escutar, ouvir.
Na Comunicação Empática, “acolher” está ligado a esses últimos significados: aceitação, consideração, escuta atenta e ativa do que está sendo dito.
Quando alguém nos conta um problema, nós escutamos, levamos em conta o que está sendo dito, consideramos. Interagimos, claro, tentando nos conectar com o que a pessoa está sentindo naquele momento. Mas é uma interação que não julga, não avalia, não dá razão, conselho nem lição de moral.
Tem gente que pensa: hum, se escutamos o outro e aceitamos o que ele está dizendo, então isso significa que concordamos com ele? Não! Uma coisa é ouvir e aceitar o que o outro está sentindo. Outra coisa é concordar. Aceitar o sentimento não é concordar com ele!
Podemos aceitar que o filho sinta raiva da professora, por exemplo, mas não precisamos concordar com essa raiva. Ele pode até estar errado nas suas percepções e julgamentos em relação à situação, mas sentir raiva da professora, ele pode! “Entendi, você está bravo porque acha que ela deveria ter liberado vocês mais cedo para o recreio”. Acolhimento realizado com sucesso!
Podemos aceitar que a filha se sinta injustiçada por ter que faltar a uma festa porque tem prova no dia seguinte. Não necessariamente concordaremos com ela, mas podemos escutar e compreender seu ponto de vista: “Entendi, você está chateada porque não quer abrir mão de se divertir por causa da escola”. Acolhimento realizado com sucesso!
Ao serem compreendidos, os filhos e filhas se acalmam. Sabe aquela sensação de “finalmente, alguém me entendeu!”? É isso. E por causa disso, conseguem seguir em frente, aceitando melhor os limites que são colocados para eles e dissipando a raiva, a injustiça e o que mais tiver incomodando. Vale experimentar. Desejo boas conversas e bons acolhimentos para vocês!
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Renata Pereira Lima
Renata Pereira Lima é mãe da Luísa, 14 anos, e do Rodrigo, 12 anos. Palestrante TEDx-SP, mestra em Antropologia, pesquisadora de mercado com foco em comportamento e facilitadora de workshops para melhorar a comunicação entre pais e filhos por meio de escuta, empatia, respeito e limites.
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