“A pediatra”: uma leitura desconcertante e deliciosa, ao mesmo tempo

Romance conta a história de Cecília, uma pediatra que as mães vão amar odiar (e odiar amar)
O livro conta a história de Cecília, que é o oposto do que se imagina de uma pediatra Foto: Freepik

“Que mulher esquisita!”. Foi o que pensei assim que comecei a devorar as primeiras páginas do livro “A pediatra”, da escritora Andréa del Fuego, e conheci Cecília, a protagonista que narra a história em primeira pessoa. Conforme avançava na leitura, ficava ainda mais perturbada com o “sincericídio” e com as loucuras que ela era capaz de pensar, falar e fazer. Como uma médica pediatra, que estudou para cuidar de algo tão precioso, como a saúde na infância, assume não gostar de crianças, para começar?

Como mãe, que já buscou (e busca!) atendimento pediátrico várias vezes, em diferentes situações, e que foi atrás de informações no parto, a procura de uma assistência humanizada, eu reconheci ali, naquela leitura, uma realidade com que já tinha me deparado. Mas Cecília mostra isso de forma escancarada, até demais. Desconcertante. Mas viciante.

É literatura, porém não está tão longe da realidade, em muitos casos. Em entrevistas, a autora explicou que buscou inspiração em fóruns médicos para escrever. Eu acredito fortemente que existem, sim, médicos que pensam e agem como Cecília. Sabe aquele que faz o básico, bem feito, e se sente não apenas satisfeito, mas quase superior mesmo.

É como se eles ignorassem uma peculiaridade que muda tudo na profissão que escolheram: mães e pais entregam em suas mãos, diariamente, aquilo que há de mais valioso na vida deles, nas situações mais vulneráveis possíveis. Para o médico, é só mais um bebê com tosse ou diarreia. Para a família, é um ser único e precioso. Eles precisam mais do que uma prescrição de medicamento ou ouvir que “é virose”. Eles precisam de acolhimento. Precisam de humanidade.

Por outro lado, também é importante que os pacientes saibam que por trás do jaleco e do estetoscópio existe essa humanidade e que ela não é composta apenas pelo bonito. Um ser humano tem a luz, tem todas as virtudes, todo o conhecimento, todo o estudo. Mas também traz a sombra, os defeitos, as falhas. Também tem dias ruins. Também podem mesmo ter um certo desvio de caráter, de vez em quando.

Agonia, reflexão, identificação, medo, desprezo, raiva. A leitura de “A pediatra” despertou em mim muitas sensações. Fato é que eu não conseguia largar o livro, em qualquer brecha de tempo que surgia. Aposto que o mesmo vai acontecer com você.  

A Pediatra, Companhia das Letras, R$ 55

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Renata Menezes

É jornalista, entusiasta da maternidade e vive a intensidade (e as descobertas!) de ser mãe de um adolescente! Quando não está escrevendo aqui na Canguru News ou viajando com a família, você a encontrará nas quadras, recarregando as energias com suas amigas no time de handebol Master EG. Para ela, a maternidade é uma viagem constante — e ela adora compartilhar cada parada desse roteiro com nossas leitoras

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