Artigos
7 “brincadeiras” que os adultos fazem com frequência e como elas podem afetar o emocional das crianças

“É só brincadeira”. É comum que os adultos repitam essa desculpa, depois de assustar, ridicularizar ou expor uma criança, em alguma situação desnecessária. Acontece que, da perspectiva infantil, esse “só” simplesmente não existe. Crianças pequenas ainda estão em uma fase inicial do desenvolvimento do cérebro (que, aliás, só termina lá pelos 25 anos, de acordo com a ciência). Portanto, conceitos como ironia, intenção adulta ou contexto social não são compreendidos. O que os pequenos entendem é o que eles sentem e isso fica registrado.
Quando uma criança é colocada em situações de medo, vergonha ou humilhação, mesmo em tom de brincadeira, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Psicologicamente, experiências assim podem levar a ansiedade, inibição emocional, baixa autoestima, confusão de limites e hipervigilância emocional. O adulto ri, mas o corpo da criança memoriza.
O que se repete na infância tende a se transformar em padrões emocionais na vida adulta. Não se trata de excesso de sensibilidade, mas de neurodesenvolvimento: o cérebro infantil ainda está em formação e responde de forma intensa às experiências afetivas.
A seguir, a advogada e psicanalista infantil Olivia Colombino alerta para brincadeiras comuns que podem machucar, ainda que essa não seja a intenção:
- Zoar o choro ou o medo
Frases como “isso é frescura” ou “para de drama” ensinam a criança a engolir emoções e enfraquecem a confiança em se expressar. - Assustar de propósito
Dar sustos, se esconder ou ameaçar “de brincadeira” ativa um estado de alerta e pode contribuir para quadros de ansiedade. - Usar apelidos pejorativos
Mesmo ditos rindo, os apelidos moldam a identidade. A criança não entende ironia — entende quem ela “é”. - Expor ao ridículo
Rir da criança na frente de outras pessoas, filmar ou postar situações constrangedoras transforma vergonha pública em ferida íntima. - Fingir abandono
Frases como “vou te deixar aqui” ou “vou embora sem você” ativam medo de rejeição e insegurança afetiva. - Comparações disfarçadas de piada
“Seu irmão é mais esperto” ou “olha como fulano se comporta” ensinam que ela nunca é suficiente. - Brincadeiras de mandar, humilhar ou dominar
Jogos em que a criança sempre perde, obedece ou é diminuída não ensinam respeito — ensinam submissão.
É importante lembrar que as crianças não têm filtro emocional ou maturidade para relativizar experiências. O que parece pequeno para um adulto pode ser gigante para quem ainda está se formando. Brincadeira que machuca, constrange ou dá medo não é brincadeira. É violência emocional disfarçada.
Fonte: Olivia Colombino, advogada e psicanalista infantil
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Ainda tem férias! 10 jogos de tabuleiro que estimulam habilidades
Que tal dar um tempo nas telas e convocar todo mundo para uma partida analógica? Os jogos de tabuleiro rendem...
Especialista explica o que está por trás dos protestos das crianças no Roblox
Manifestação virtual foi realizada nos ambientes de jogos, depois que a empresa anunciou mudanças que restringiam o chat, para tornar...
Você é o “cérebro da casa”? Como a carga mental tem adoecido as mães
Pesquisas mostram que as mulheres seguem responsáveis pela maior parte do trabalho invisível, mesmo quando trabalham fora. Reconhecer essa divisão...
FIV impulsiona recorde de maternidade solo entre mulheres de 40 anos. É o seu caso?
Mulheres que decidem ter filhos, sem ter necessariamente um companheiro para realizar esse sonho em conjunto, têm recorrido à reprodução...





