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Você sabia? Pé plano na primeira infância é normal
Por Ana Paula Lage – O pé da criança é bem diferente do pé do adulto e caracteriza- se, principalmente, por sua flexibilidade. Outra particularidade é a ausência do arco longitudinal medial, aquela cavidade interna da planta dos pés.
O conhecido “pé plano” gera inquietações nos pais, especialmente naqueles que têm crianças que ainda não caminham ou que estão apenas começando a andar. O desenvolvimento da estrutura óssea do arco longitudinal só se inicia quando as crianças aprendem a ficar de pé sozinhas e começam a caminhar de forma independente. Até os 2 ou 3 anos, naturalmente, o arco pode não ser desenvolvido, portanto a aparência do pé plano nos bebês é considerada normal.
Por volta de 12 meses, quando os bebês começam a andar, o esqueleto do pé é bem macio, constituído por centros ossificados parcialmente interligados por tecidos cartilaginosos. Para proteger esse frágil tecido cartilaginoso, existe uma almofada de gordura – por isso os pezinhos dos bebês são tão gordinhos.
Os estímulos que os pés recebem durante a fase de crescimento são responsáveis pelo seu correto desenvolvimento.
O desenvolvimento dos ossos e as alterações na forma do esqueleto do pé, após os primeiros passos, fazem com que o corpo absorva a gordura, pois o processo de desenvolvimento dos músculos, dos ossos e dos ligamentos torna o pezinho mais rígido e forte, não necessitando de tanta proteção.
Os estímulos que os pés recebem durante a fase de crescimento são responsáveis pelo seu correto desenvolvimento. Por isso, é importante que o bebê ande descalço e use calçados que não interfiram no desenvolvimento normal dos pezinhos, respeitando a sua anatomia. Calçados estreitos, pequenos ou rígidos podem interferir no desenvolvimento dos pés sem que o bebê reclame, porque a própria natureza flexível do pezinho faz com que ele se adapte. Aqui, a velha frase “se estiver desconfortável, ele vai reclamar” pode não funcionar.
Embora a maioria dos problemas nos pés observados na primeira infância (crianças de até 5 anos) seja decorrente de um desenvolvimento normal ou de condição que se resolve espontaneamente, o entendimento do que é ou não normal exige um conhecimento claro da história natural do desenvolvimento do pé. Assim, o desafio consiste em distinguir entre o que seria uma variante normal e o que seria considerado patologia.
Em um importante estudo prospectivo, feito durante 25 anos, pesquisadores afirmaram que as crianças progressivamente desenvolvem o arco medial à medida que crescem, de modo que apresentar pés planos na primeira infância é considerado normal, independentemente de qualquer tratamento que possa ter.
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