Vírus Nipah: o que os pais precisam saber para não entrar em pânico

Surto na Ásia tem chamado a atenção nos noticiários e, embora o vírus possa causar quadros graves, ele é raro. Entenda quais são os riscos reais e quando se preocupar
O que saber sobre o vírus Nipah
Foto: Freepik
O que saber sobre o vírus Nipah Foto: Freepik

“Novo vírus”, “surto”, “sem cura”, “sem vacina”. Esse combo de palavras é suficiente para reavivar nosso trauma recente, causado pela pandemia de coronavírus. E não é para menos! De fato, foram anos difíceis, em uma situação que essa geração nunca tinha testemunhado ou experimentado. Por isso, as notícias recentes de que um vírus pouco conhecido tem contaminado pessoas na Ásia deixam todo mundo de cabelo em pé. Mas, respire: de acordo com especialistas e órgãos oficiais, não é motivo para pânico.

O vírus Nipah é real, é sério e pode, sim, causar infecções graves, mas é importante ressaltar que ainda não há circulação no Brasil e que o risco para famílias brasileiras é atualmente muito baixo. Além disso, o patógeno não é novidade e foi identificado pela primeira vez em 1999.

Os principais hospedeiros desse tipo de vírus são os morcegos frugívoros, ou seja, que se alimentam, principalmente de frutas. Os surtos registrados até hoje se concentraram em países como Bangladesh, Índia, Malásia e Singapura, na Ásia.

O que torna o Nipah um vírus monitorado de perto pelas autoridades mundiais de saúde é o fato de que ele pode evoluir rapidamente para quadros graves e apresenta taxas de letalidade elevadas em surtos. Além disso, ainda não existe vacina nem tratamento antiviral específico, o que significa que o cuidado é baseado em suporte hospitalar intensivo.

No Brasil, o risco é remoto

A transmissão pode ocorrer pelo contato com secreções de morcegos, pelo consumo de frutas ou seiva de palmeira contaminadas ou pelo contato próximo com pessoas infectadas, especialmente em ambientes familiares. Por isso, em regiões onde há surtos, recomenda-se evitar alimentos potencialmente contaminados, reforçar a higiene das mãos e reduzir o contato próximo com pessoas doentes.

Em humanos, a infecção pode começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe forte, com febre, dor de cabeça, tosse e dor de garganta. Em alguns casos, evolui para complicações neurológicas, como encefalite, uma inflamação grave no cérebro.

Em crianças pequenas, os sinais de alerta merecem atenção especial. Além da febre alta, podem surgir sonolência excessiva, irritabilidade fora do comum, confusão mental, recusa alimentar e, nos quadros mais graves, convulsões ou perda de consciência. Como os pequenos nem sempre conseguem expressar o que estão sentindo, mudanças bruscas de comportamento e prostração intensa devem ser levadas a sério.

Para quem vive no Brasil, no entanto, a principal recomendação é informar-se sem alarmismo. Não há necessidade de mudanças na rotina ou de medidas extras no dia a dia. A atenção maior se aplica a famílias que viajam para áreas com registro de surtos: nesses casos, qualquer febre associada a sintomas respiratórios ou neurológicos após a viagem deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Em resumo, o Nipah é um vírus que merece respeito, mas não é motivo para pânico ou medo constante. No Brasil, o risco é remoto e o melhor caminho continua sendo buscar informação confiável, vigilância em viagens internacionais e atenção aos sinais do corpo, especialmente quando se trata de crianças pequenas.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS / WHO) — Nipah Virus Fact Sheet;  Centers for Disease Control and Prevention (CDC) — Nipah Virus (NiV), Our World in Data — Nipah Virus; Revisões científicas publicadas em The Lancet Infectious Diseases

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