Artigos
Tentativas de tocar o coração dos pais apenas ‘pagadores de contas’

O consultório da Pediatra das minhas filhas ficava em um prédio comercial ao lado do meu trabalho. Por questões de logística, eu sempre parava o carro no trabalho para facilitar as coisas e, de lá, a gente atravessava a rua a pé. Antes disso, porém, as meninas sempre queriam dar uma voltinha e cumprimentar o pessoal lá do trabalho.
Quando voltava da médica eu sempre ouvia os comentários da turma: “Nossa, que legal você levar suas filhas ao médico”. Isso sempre me incomodou. Sempre me perguntei o que eu estava fazendo demais naquilo. Como passar do tempo, fui percebendo que, infelizmente, essa não era a realidade da maioria das famílias onde o peso dessa e de tantas outras rotinas acaba ficando com a mãe.
Um estudo realizado pelo Instituto Promundo sobre a situação da paternidade no Brasil mostrou que a participação ativa dos pais nos serviços de pré-natal e no pós-parto é elemento fundamental para promover melhora nos indicadores de saúde do país.
O estudo demostrou ainda que, quando há envolvimento de qualidade do pai, as chances de a gestante aderir ao pré-natal aumentam, assim como aumentam também as chances de que a mulher tenha uma experiência de um trabalho de parto menos estressante, além de contribuir para um maior tempo de amamentação.
Pai que é pai de verdade acompanha a gestação, o parto e a amamentação. Pai que é pai exerce os cuidados cotidianos, participa das atividades escolares e não é só o provedor do material.
Pai que é pai ouve, olha nos olhos, brinca, está presente e não só dá presente. Provê possibilidades de lazer, esporte e cultura. Pai que é pai possibilita o acesso aos seus direitos e garante a sua presença ao lado dos filhos, mesmo em casos em que ele esteja separado da mãe.
E aí, sobre aquele meu incômodo de ser elogiado por estar fazendo aquilo que, a meu ver, não passava da minha obrigação de pai, pois bem, deixou de ser um incômodo e passou a ser um motivo a mais para eu continuar fazendo parte ativamente da vida das minhas filhas. Assim, quem sabe, eu consiga tocar o coração e a alma de outros pais que, por ora, estão apenas
exercendo o pequeno papel de ajudante de mãe e de pagadores de conta.
LEIA TAMBÉM
Fernando Dias
Fernando Dias é pai da Duda e da Gabi, e padrasto do João. Trabalha como administrador de empresas, palestrante, escritor e fundador do curso “Vou ser pai. E agora?”. Saiba mais sobre ele em @conexaopaterna e no site www.vouserpai.com.br
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
“Confissões de Adolescente” está de volta (e pode ser uma oportunidade de conexão entre mães e filhas)
Novo lançamento do livro e musical que estreia em outubro convidam uma geração de mães a revisitar a própria adolescência...
“Locked in” termo está em alta nas redes – e pode ser uma cilada para mães
Tendência incentiva foco, disciplina e mudanças de hábitos, mas também pode transformar a busca por uma rotina melhor em mais...
“Mãe, você está careca?”: pergunta do filho inspirou livro de dentista que enfrentou câncer de mama aos 30 anos
No Outubro Rosa, Jessica Arcanjo relembra o diagnóstico, os desafios de conciliar o tratamento com a maternidade e como aprendeu...
Quando a vida aperta: 8 escapes saudáveis para aliviar a cabeça sem descontar em você
Quando estamos sobrecarregados, é tentador buscar alívio imediato na comida, no álcool, nas compras ou em outros excessos. Mas existem...












