Seu filho vai entrar em recesso da terapia? 5 dicas para atravessar essa pausa sem drama, sem culpa e com afeto

A pausa na terapia pode gerar insegurança nas crianças – e nos adultos também! Porém, quando o período é conduzido com honestidade e cuidado, ele pode ser transformar em um tempo para fortalecer o vínculo e estimular o amadurecimento emocional
Criança fazendo terapia
Foto: Freepik
Criança fazendo terapia Foto: Freepik

Quando uma criança entra em recesso da terapia, muitos adultos se perguntam: “Será que isso vai atrapalhar o processo?”, “Será que meu filho vai regredir?”, “Será que ele vai sofrer?”. Essas perguntas, é claro, surgem a partir do amor, mas também do medo do vazio, da interrupção, da ausência.

A fonoaudióloga Caroline Pizzini, que também é mãe de uma criança neurodivergente, lembra que nem tudo se desfaz nesse intervalo. Pelo contrário. “A pausa também é parte do processo. Nela, o que foi vivido se acomoda e o que está por vir encontra espaço para nascer”, explica.

O importante, segundo a especialista, é explicar o que está acontecendo e acolher os sentimentos e dúvidas dos pequenos sobre isso. “Toda criança merece saber o que vai acontecer com ela. Isso é respeito. Quando avisamos que haverá um recesso, não estamos antecipando um problema — estamos construindo segurança”, orienta. “Explicar que a terapia vai parar por um tempo não é causar ansiedade. É oferecer previsibilidade. É dizer, com palavras ou gestos, que o mundo pode ser compreendido. Que há começo, meio, e um depois”, acrescenta.

Aqui, ela lista cinco formas simples e realistas de preparar os pequenos para esse período, sem drama e sem culpa:

 

  1. Não esconda: avise

Fingir que nada vai mudar é a receita perfeita para a insegurança.
A criança sente o tempo, mesmo quando ainda não sabe medi-lo. Ela percebe ausências, mudanças de ritmo, silêncios inesperados. Avisar que haverá um recesso é uma forma de cuidado. É dizer: “Você importa tanto que merece saber o que vem pela frente.”

  1. Mostre o tempo. Deixe que ele exista

O tempo abstrato pode assustar. O tempo visível acolhe. Um calendário, uma contagem regressiva, um desenho na geladeira, risquinhos sendo apagados dia após dia. Quando o tempo ganha forma, ele pesa menos. A espera deixa de ser ameaça e vira história.

  1. Criem um ritual de pausa

Não precisa de nada grandioso. Um bilhete. Uma cartinha. Um desenho. Um “te vejo logo” dito com verdade. Rituais ajudam a marcar transições. Eles dizem: “Isso termina aqui, mas continua dentro”. É no gesto simples que mora a eternidade afetiva.

  1. Explique que descansar também é cuidar

Tem criança que acha que terapeuta é máquina. Tem adulto também. Explique que quem cuida também precisa parar, dormir, silenciar, renovar. Isso ensina algo precioso: cuidar não é estar disponível o tempo todo — é estar inteiro quando se está.

  1. O vínculo não se desfaz no silêncio

Falem sobre a terapeuta durante o recesso. Lembrem das brincadeiras, das conquistas, das falas importantes. Vínculo verdadeiro sobrevive à ausência. Ele se sustenta na memória, no afeto, na confiança construída. A pausa não apaga o laço — muitas vezes, ela o consolida.

Não se trata de proteger a criança da ausência, mas de ensiná-la que ausências existem — e podem ser atravessadas com segurança. Quando explicamos, avisamos e sustentamos, mostramos que relações não desaparecem. Elas respiram e, depois, continuam.

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