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Seu filho dorme tarde? Porque você deveria tentar mudar esse hábito o quanto antes
Com a volta às aulas, vem o drama de reajustar a rotina e os horários. Não é fácil, mas aqui em casa fazemos de tudo para que as crianças estejam na cama até às 21h. Ainda não é o mundo ideal, já que seria melhor que dormissem um pouco mais cedo. Mas é o que conseguimos fazer, por enquanto, por conta da nossa rotina de trabalho, tempo de preparar o jantar, banho, enfim… Quando vamos olhar o relógio, o tempo passou voando!
Ainda assim, pelas conversas com outras mães e pelos próprios comentários dos amigos percebo que é muito comum que crianças durmam bem mais tarde, 22h, 23h… Parece besteira, são apenas algumas horinhas de sono, mas os efeitos vão muito além! O horário de ir para cama afeta o crescimento e a saúde, tanto quanto a alimentação. É uma necessidade biológica que influencia diretamente o crescimento, o humor, o comportamento e até a saúde a longo prazo.
É durante a noite que acontece o principal pico de liberação do hormônio do crescimento (GH), responsável não apenas pelo aumento da estatura, mas também pela regeneração celular e pelo desenvolvimento muscular. Esse pico ocorre, em geral, entre 21h e 1h da manhã — com uma condição indispensável: a criança precisa estar em sono profundo.
O problema é que, quando a criança vai para a cama tarde, por volta das 22h, ela costuma levar uma ou até duas horas para alcançar esse estágio profundo do sono. Na prática, isso significa perder esse momento da produção do hormônio do crescimento, o que pode comprometer processos fundamentais do desenvolvimento.
Os efeitos de dormir tarde também aparecem no comportamento e na saúde emocional. A privação ou o atraso do sono desregula o cortisol, hormônio ligado ao estresse, e pode deixar a criança mais irritada, impulsiva e agitada. Parece contraditório, mas essa hiperatividade, que muitas vezes é interpretada como energia excessiva, é na verdade um sinal de exaustão. Além disso, o sono inadequado afeta a amígdala, região do cérebro responsável pelas emoções, tornando a criança mais vulnerável a birras frequentes, baixa tolerância à frustração e ansiedade.
No corpo, os impactos não são menores. Dormir fora do horário adequado interfere no ritmo circadiano, o relógio biológico que regula funções essenciais do organismo. Isso pode influenciar o metabolismo, o peso e a imunidade. Estudos mostram que crianças que dormem pouco ou dormem tarde têm maior risco de ganho de peso, já que a alteração do sono desorganiza os hormônios da fome e da saciedade, aumentando a vontade por carboidratos e alimentos ultraprocessados.
A imunidade também sofre. É durante o sono que o sistema imunológico se fortalece e se reorganiza. Crianças que dormem tarde ou dormem mal tendem a adoecer com mais frequência, apresentando mais episódios de resfriados, viroses e infecções comuns da infância.
Criar uma rotina que favoreça o sono cedo é um cuidado importante. A gente sabe que existem os desafios, de acordo com a rotina de cada família, mas tente ajustar os horários de ir para cama, porque é uma forma essencial de proteger o corpo e o cérebro.
Fonte: Márcia Zani, pediatra
Canguru News
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