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SBP lança guia de prevenção ao bullying nas escolas e em outros ambientes
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou nesta semana um guia sobre bullying, para que pais, adolescentes e professores possam enfrentar e prevenir essa prática, especialmente nas escolas. Segundo o presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da entidade, Joel Bressa da Cunha, a SBP tem uma preocupação ampla com todos os aspectos ligados à saúde das crianças e adolescentes.
“É um assunto importante, que precisa ser mais entendido pelos pediatras, porque eles têm ação fundamental, tanto na prevenção quanto no encaminhamento das questões de violência”, disse Cunha, explicando que o bullying deve ser mais abordado dentro dos consultórios médicos. O bullying compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra um ou mais colegas, causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima.
O próprio pediatra pode intervir e orientar pais e filhos, conforme a gravidade da violência, desde uma conscientização no próprio consultório, a abordagem direta na escola, até o encaminhamento para um especialista. “Uma atitude ativa do pediatra é importante para evitar consequências graves. Perguntar como o paciente está indo na escola é simples, dar orientações”, acrescentou Cunha.
No guia, Cunha explica que há uma série de informações, inclusive para identificar bem o bullying. “A gente caracteriza o bullying como a intenção de humilhar. Não é algo com a intenção de causar um dano muito grande. Mas, por ser mais leve na intenção, não quer dizer que não tenha consequências mais graves, tanto físicas quanto psicológicas”, disse.
O documento da SBP traz também orientações sobre atitudes a serem adotadas pelos diferentes atores. Por exemplo, no caso daquela criança ou adolescente que é alvo de bullying, a SBP recomenda que os pais observem a presença frequente de sinais de trauma, como ferimentos e hematomas, alterações repentinas de humor, apresentação de desculpas para não ir à escola, comportamento agressivo ou busca de novas amizades fora da escola.
Para Cunha, tanto o alvo quanto o autor do bullying têm que ser vistos com atenção especial, pois eles têm mais possibilidade de apresentar, ou de desenvolver no futuro, problemas ligados à saúde mental, como ansiedade, depressão e uso de drogas.
No caso da criança ou do adolescente que pratica atos de agressão contra os colegas, a SBP pede que os pais e responsáveis não ignorem a situação, busquem respostas para os motivos do comportamento e evitem o uso da violência para resolução do problema. “É importante evitar ações meramente punitivas, porque isso pode até reforçar algo que este estudante sente e dar motivo para uma agressividade maior”, explicou o pediatra.
De acordo com Cunha, os espectadores também são parte das estratégias de prevenção ao bullying. “É importante tornar visível a questão do bullying e incentivar todos a falar sobre isso e a conversar com os adultos para que a ação não aconteça. Se todos estiverem motivados e orientados a falar, pode não partir do alvo, mas daqueles espectadores”, afirmou.
Como são classificados os tipos de bullying?
• Físico: inclui batidas, chutes, empurrões, lesões ligadas a atos de pressão e contato, beliscões;
• Verbal: apelidos, intimidação, provocação, observações homofóbicas ou racistas, muitas vezes com início mais leve e discreto, até atingir o alvo;
• Escrito: que inclui bilhetes, cartas, pichações, cartazes, faixas, desenhos depreciativos;
• Moral, social ou psicológico: inclui difamar, caluniar, espalhar boatos, intimidar, ignorar, fazer pouco caso, imitar desfavoravelmente, usando trejeitos e fazendo piadas, excluir ou incentivar a exclusão social com objetivo de humilhar. É mais difícil de reconhecer, pois pode ser praticado de modo indireto.
• Material: que inclui estragar, danifi car, furtar os pertences ou atirá-los contra a vítima;
• Cyberbullying: inclui a utilização de mídia eletrônica, por intermédio de e-mails, postagens, imagens ou vídeos. Tem o potencial de, em segundos, alcançar um número muito grande de pessoas deliberadamente e, em alguns casos, anonimamente, podendo causar danos psicológicos mais acentuados e negativos.
Como evitar que ele aconteça?
• estimular o protagonismo de crianças e jovens;
• discutir o fenômeno bullying com todos os professores e funcionários da escola, os pais/responsáveis e os alunos, incluindo as associa- ções de alunos (quando houver), na busca de soluções conjuntas para enfrentar possíveis casos;
• inserir o bullying como tema transversal e permanente na grade curricular;
• abordar o assunto em sala de aula, criando situações em que os alunos possam refletir sobre suas experiências e visão do problema, tendo como objetivo principal a busca de respostas e soluções construídas e vivenciadas por todos;
• preparar todos os alunos para identificar o bullying e aprender a se defender;
• sensibilizar toda a comunidade escolar para acolher e proteger os alvos, dando-lhes segurança para falar do assunto;
• criar relações harmoniosas entre professores e alunos, e entre os próprios alunos, visando a afastar fontes geradoras de tensão, contribuindo para um ambiente seguro;
• manter funcionários no momento das recreações e brincadeiras, para observar se há crianças isoladas, com o olhar assustado ou com semblante dominador, intervindo imediatamente se necessário for;
• estimular jogos e atividades que ocupem os estudantes de forma positiva, sempre que houver horários ociosos;
• identificar estudantes que se destacam em aspectos referentes à valorização das diferenças e ao respeito mútuo, para que se tornem possíveis lideranças e referências positivas;
• promover atitudes que estimulem a cultura da diferença, onde todos os alunos sejam respeitados em sua singularidade, independentemente de suas condições sociais, físicas ou mentais;
• dialogar periodicamente com os alunos demonstrando respeito pelos valores de cada um, com o objetivo de encontrar formas não violentas para prevenir e resolver conflitos.
O Guia Prático de Atualização sobre Bullying está disponível na página da SBP.
(Com informações da Agência Brasil)
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