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Que futuro queremos construir para as novas gerações?
Recentemente celebramos o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em 21 de setembro. Além desse dia, temos, ao longo do ano, várias outras datas que reforçam a importância da inclusão.
Eu virei ativista dessa causa, assim como outras mulheres – não por vontade, mas por necessidade – ao me tornar mãe de uma criança diagnosticada com uma doença rara. Tive que sair do meu lugar confortável e aprender a lutar.
Não foi fácil ver minha filha sofrendo bullying na escola por ser “diferente”, não conseguindo acessar os lugares com seu andador ou cadeira de rodas. Percebia os olhares, comentários e atitudes preconceituosas das pessoas. Tudo isso doeu em mim e me fez buscar informação, estudar para entender quais eram os nossos direitos. Também me deu coragem para soltar a voz e através do meu trabalho colaborar para a construção de um futuro mais inclusivo.
Você já parou para pensar que enquanto pais e educadores estamos o tempo todo construindo futuros? Nós somos os responsáveis por esses seres humanos que estão em construção. Somos modelo e eles estão o tempo todo nos observando e aprendendo com a gente. Por isso te convido a rever suas crenças, questionar alguns comportamentos e atitudes, reconhecer suas falhas e aprender uma forma mais respeitosa, empática e humana de se relacionar com as pessoas. Precisamos focar na educação e olhar para maternidade/paternidade como uma ferramenta de transformação social.
Você quer ser ouvido? Escute primeiro.
Quer filhos capazes e confiantes? Confie primeiro.
Quer filhos respeitosos? Respeite primeiro.
Quer que seu filho seja empático e inclusivo. Seja você primeiro.
Não faz sentido pedir para a criança parar de gritar, gritando. Exigir respeito, desrespeitando. Esperar gentileza, se não é gentil com as pessoas. Querer filhos calmos, não sendo calma. Nada pode ser mais poderoso do que o nosso próprio exemplo.
A transformação que precisamos é humana e qualquer mudança começa na gente. Nós não podemos alterar o mundo todo de uma vez, mas podemos mudar a nós mesmos, e quando mudamos os nossos comportamentos, nossas atitudes e nossa maneira de comunicar, quem está ao nosso redor também muda. As crianças absorvem as nossas emoções, aprendem a linguagem e as regras sociais inspiradas no que vivenciam no ambiente familiar, nos seus cuidadores.
Diante disso, que tal se tornar um pai ou mãe consciente e ajudar a construir um mundo mais humano, empático e feliz?
Hoje, eu te convido a se colocar mais num lugar de escuta, a estar aberto para aprender sem medo de errar, a sair da sua bolha e pensar mais no coletivo, a deixar-se afetar pelo outro.
O futuro que eu, Mônica, quero construir para as próximas gerações é um futuro onde as pessoas respeitem as diferenças, com possibilidades mais plurais. Onde a minha filha possa ser quem ela é e não seja vista como inferior e incapaz por ter uma deficiência. Onde a inclusão não tenha que ser falada ou discutida, pois ela vai acontecer naturalmente. Eu quero um futuro onde eu não precise ser chamada de mãe atípica, mas apenas de mãe. Quero um futuro anticapacitista, que não favoreça uma cultura tóxica que valoriza quem é “normal” e fere a existência e dignidade de outras pessoas que não se encaixam nesse padrão.
As crianças e adolescentes de hoje são os adultos de amanhã. Que futuros a gente está criando?
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
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